28 Set 2020

24° Semana do Tempo Comum I Timóteo 2,1-8

1 Acima de tudo, recomendo que se façam preces, orações, súplicas, ações de graças por todos os homens, 2 pelos reis e por todos os que estão constituídos em autoridade, para que possamos viver uma vida calma e tranqüila, com toda a piedade e honestidade. 3 Isto é bom e agradável diante de Deus, nosso Salvador, 4 o qual deseja que todos os homens se salvem e cheguem ao conhecimento da verdade. 5 Porque há um só Deus e há um só mediador entre Deus e os homens: Jesus Cristo, homem 6 que se entregou como resgate por todos. Tal é o fato, atestado em seu tempo; 7 e deste fato - digo a verdade, não minto - fui constituído pregador, apóstolo e doutor dos gentios, na fé e na verdade. 8 Quero, pois, que os homens orem em todo lugar, levantando as mãos puras, superando todo ódio e ressentimento.

24° Semana do Tempo Comum Salmo 27,2.7.8-9

Resposta: “Bendito seja o Senhor, porque ouviu o clamor da minha súplica!”

2 Ouvi a voz de minha súplica quando clamo, quando levanto as mãos para o vosso templo santo.
7 O Senhor é a minha força e o meu escudo! Por isso meu coração exulta e o louvo com meu cântico.

8 O Senhor é a força do seu povo, uma fortaleza de salvação para o que lhe é consagrado.
9 Salvai, Senhor, vosso povo e abençoai a vossa herança; sede seu pastor, levai-o nos braços eternamente.

24° Semana do Tempo Comum Lucas 7,1-10

1 Tendo Jesus concluído todos os seus discursos ao povo que o escutava, entrou em Cafarnaum. 2 Havia lá um centurião que tinha um servo a quem muito estimava e que estava à morte. 3 Tendo ouvido falar de Jesus, enviou-lhe alguns anciãos dos judeus, rogando-lhe que o viesse curar. 4 Aproximando-se eles de Jesus, rogavam-lhe encarecidamente: Ele bem merece que lhe faças este favor, 5 pois é amigo da nossa nação e foi ele mesmo quem nos edificou uma sinagoga. 6 Jesus então foi com eles. E já não estava longe da casa, quando o centurião lhe mandou dizer por amigos seus: Senhor, não te incomodes tanto assim, porque não sou digno de que entres em minha casa; 7 por isso nem me achei digno de chegar-me a ti, mas dize somente uma palavra e o meu servo será curado. 8 Pois também eu, simples subalterno, tenho soldados às minhas ordens; e digo a um: Vai ali! E ele vai; e a outro: Vem cá! E ele vem; e ao meu servo: Faze isto! E ele o faz. 9 Ouvindo estas palavras, Jesus ficou admirado. E, voltando-se para o povo que o ia seguindo, disse: Em verdade vos digo: nem mesmo em Israel encontrei tamanha fé. 10 Voltando para a casa do centurião os que haviam sido enviados, encontraram o servo curado

Comentário:

Diz uma palavra - Dum homem pagão nos vem hoje um exemplo de fé. Como Jesus, também nós ficamos admirados. Na escola da fé andamos sempre a aprender a lição nunca sabida. Deus quer salvar todos os homens e infundiu neles «sementes do Verbo», germes de graça, que darão fruto a seu tempo. Há fé encoberta, adoradores anônimos, que o Espírito Santo alimenta com o seu fogo sagrado. Quem mais crer e amar, esse será o maior, o mais admirável de todos.

A fé funda-se numa Palavra: Jesus, o Verbo que Deus falou. Falou-nos de muitos modos, mas a Palavra que diz tudo é Jesus, seu Filho. Fé é adesão pessoal a Cristo, rocha firme sobre a qual assenta a divina construção. Sei o que Ele sabe, vejo o que Ele vê. Pela fé passamos além da dor, que nos faz aproximar de Deus, entre nuvens. Fortes na fé, superamos o desespero e pessimismo, que abalam o mundo pagão. Na dor e no fracasso, o que nos falta é uma palavra de cura e libertação, que só Deus sabe.

A fé é serviço. «Faz isto e ele faz». Fundados na fé, animados pela esperança vamos fazer as obras de Deus, cumprindo a sua palavra. O que só falta à palavra é cumpri-la. Vida cristã é correr atrás duma Palavra, que nos chamou e deu volta à vida. Ninguém se julga digno de a receber, mas é Deus que se digna pronunciá-la. A fé humilde deste homem era a morada digna para receber Jesus. A humildade para o receber foi a forma mais certa de o fazer entrar.

Senhor, diz uma Palavra e serei salvo!

Comentário do dia
Santo Agostinho (354-430), bispo de Hipona (norte de África), doutor da Igreja
Sermão 62

«Senhor, não mereço que entres em minha casa»

Na leitura do Evangelho, ouvimos Jesus louvar a nossa fé, associada à humildade. Quando prometeu ir à casa do centurião curar-lhe o servo, este respondeu: «Não mereço que entres em minha casa [...]. Mas diz uma palavra e o meu servo será curado». Ao considerar-se indigno, revela-se digno – digno não só de que Cristo entre em sua casa, mas também no seu coração. [...]

Pois não teria sido para ele grande alegria se o Senhor Jesus tivesse entrado em sua casa sem entrar no seu coração. Com efeito, Cristo, Mestre de humildade pelo seu exemplo e pelas suas palavras, sentou-Se à mesa em casa de um fariseu orgulhoso chamado Simão (Lc 7,36ss.); mas, embora Se sentasse à sua mesa, não entrou no seu coração: aí, «o Filho do Homem não tinha onde reclinar a cabeça» (Lc 9,58). Pelo contrário, não entra em casa do centurião, mas entra no seu coração. [...]

Por conseguinte, é a fé unida à humildade que o Senhor elogia neste centurião. Quando este diz: «Não mereço que entres em minha casa», o Senhor responde: «Digo-vos que nem mesmo em Israel encontrei tão grande fé». [...] O Senhor veio ao povo de Israel segundo a carne, para procurar primeiramente neste povo a sua ovelha perdida (cf Lc 15,4). [...] Nós, como homens, não podemos medir a fé dos homens. Foi Aquele que vê o fundo dos corações, Aquele a quem ninguém engana, que testemunhou como era o coração deste homem; ao ouvir as suas palavras repletas de humildade, responde-lhe com uma palavra que cura.