
O século XVI foi fecundo em Santos em várias nações, entre as quais a Itália. A 23 de Abril, nascia em Florência, Toscana (Itália), a futura santa Catarina que ao ser batizada, teve o nome de Alexandra. Seus pais, chamados Francisco e Catarina, eram bons cristãos e pertenciam à aristocracia da cidade. Pouco depois de nascer Alexandra, morreu a sua mãe, e seu pai contraiu segundas núpcias.
A pequena Alexandra, tanto pelo pai como pela madrasta, foi tratada com todo o cuidado e muito bem educada. Desde menina apareceram nela virtudes que, depois, viriam a dar copioso fruto quando crescesse.
Aos dez anos, foi internada pelo pai no mosteiro de Monticelli, onde estava a tia Luísa Ricci. Muito em breve ficaram profundamente admiradas as religiosas ao descobrir as muitas e profundas virtudes que adornavam a sua alma. Houve uma religiosa que tomou a seu cargo espiá-la, para ver se a sua virtude, sobretudo quando se encontrava diante do Senhor em oração, era algo natural ou passageiro. Passava longas horas prostrada diante do Santíssimo Sacramento e meditava na Paixão do Senhor, em cada um dos passos que o Evangelho nos recorda. Quando for religiosa, será esta uma das marcas mais destacadas da sua vida espiritual.
Aos treze anos voltou para a casa paterna, continuando quase a mesma vida que fazia no internato. Seu pai, segundo o costume da época, propôs-Ihe um lisonjeiro futuro, tendo projetado uni-la em matrimonio com um dos jovens da mais nobre família da cidade. Alexandra agradeceu, mas respondeu-lhe resolutamente que não estava nos seus planos contrair matrimonio, pois se tinha desposado com Jesus Cristo a quem tinha feito voto de virgindade.
Conheceu duas religiosas dominicanas do Convento de São Vicente de Prado, que andavam pela rua recolhendo esmolas. Pediu-lhe que lhe explicassem o gênero de vida que seguiam no Convento. Bem inteirada de tudo, pediu licença ao pai e com a sua bênção ingressou nesse mesmo Mosteiro em 1535, quando apenas contava treze anos de idade. Vestiu o hábito da Ordem Dominicana e, no ano seguinte, emitiu os votos religiosos. Foi para ela uma alegria e para as religiosas também, pois todas sabiam apreciar a grande dádiva que o Senhor lhes fazia ao enviar-lhes esta pérola de criatura.
Pouco depois, o Senhor veio visitá-la com uma terrível e múltipla enfermidade, pois foram várias as doenças que afligiram o seu débil corpo. As próprias religiosas e os médicos ficavam admirados como podia resistir a tanta dor. Mas apareceu-lhe um santo da sua Ordem, fez sobre ela o sinal da cruz e ficou curada por muitos anos. Durante estes atrozes tormentos, tinha um remédio que a curava o pelo menos lhe dava paz e alívio: meditar na Paixão do Senhor nas muitas dores que Ele sofreu por nós... Meditava passo a passo, com toda a sua crueza, e às vezes o Senhor manifestava-se-lhe com a cruz às costas, ou coroado de espinhos ou ainda pregado na Cruz. Perante estas dores do Mestre, Catarina - que assim passou a chamar-se desde que vestiu o hábito dominicano - encontrava forças para carregar a sua própria cruz...
Recebeu muitos dons e graças do céu: revelações, profecias, milagres... luzes especiais sobre assuntos de que nada sabia. Por isso vieram consultá-la Papas, cardeais e grandes da terra, assim como pessoas simples e humildes. A todos atendia com grande bondade e humildade, já que se via aniquilada pelas suas misérias e se sentia a mais pecadora dos mortais. Expirou no dia 2 de Fevereiro de 1590.
