
O Papa Clemente X, na bula de canonização de Santa Rosa, dizia: «À cidade dos Reis, como é costume chamar a Lima, não lhe podia faltar a sua própria estrela que a conduzisse a Cristo, Senhor e Rei dos Reis». Esta guia seria ela, a grande protagonista desta encantadora história.
Rosa sempre quis esconder-se num mosteiro ou ir pelo mundo a pregar o evangelho, mas não era esta a vontade de Deus e ela acatou-a, muito dócil. Por isso costumava dizer: «O que eu não daria para anunciar o Evangelho! Iria através das cidades a pregar a penitência com os pés descalços, o crucifixo na mão e o corpo coberto com um cilício bem doloroso. Caminharia durante a noite gritando: abandonai as vossas iniquidades. Ate quando sereis como rebanhos tresmalhados? Fugi dos castigos eternos; pensai que só há um instante entre a vida e o inferno»...
O seu pai, Gaspar Flores, e sua mãe, Maria de Oliva, foram abençoados pelo Senhor num dia 2 de Abril com esta filha que ia dar-lhes tanta glória, não só a eles, mas a toda a nação do Peru e também a toda a Igreja. Eram bons mas nada sobressaiam perante os outros nem por riqueza nem por santidade de vida. Quando nasceu, por vontade da avó, foi-lhe dado o nome de Isabel, mas um dia, quando era pequenina, ao pegar nela a mãe em seus braços, pareceu-lhe que o rosto dela estava tão inflamado e era tão belo que parecia uma rosa e disse, acariciando-a contra o peito! «Minha filha, tu és a minha Rosa, Rosa vinda do céu e Rosa te chamarás para sempre»
Este fato ficou ainda mais enriquecido, e assim se chamou em toda a parte, sobretudo depois que São. Toríbio de Mogrovejo, que desconhecia o seu nome, ao colocar as mãos sobre a cabecinha da menina para a abençoar, lhe disse: «Rosa, eu te abençoo de todo o coração». Quando for maior ninguém recordará o seu nome de batismo e, para que fique tranquila, virá em sua ajuda a mesma Mãe de Deus, a quem Rosa recorria em todas as necessidades e a amava com toda a sua alma: «Não sofras, querida filha, é minha vontade que te chames Rosa de Santa Maria» E mais adiante, o mesmo Jesus Cristo, com quem se desposou misticamente e com quem tinha colóquios cheios de afeto, disse-lhe: «Rosa do meu coração, sê tu minha esposa».
Os seus pais estavam à espera de um vantajoso matrimonio para a beleza da filha, que era verdadeiramente deslumbrante. Por onde passava todos os olhos se voltavam para ela, para, contemplar tamanha formosura. Seus pais faziam-na frequentar festas e banquetes para que chamasse a atenção dos jovens mais ricos da cidade, e Rosa obedecia, mas sabia tirar proveito destas testas. Por debaixo do seu diadema de rosas colocava um capacete com-picos, em forma de coroa de espinhos. E sob os seus vistosos vestidos colocava cilício e outros instrumentos para castigar o corpo. Em certa altura e durante um baile, desmaiou. Tiraram-na para fora e para que respirasse desataram os vestidos e deram-se conta de que o seu corpo estava cheio de instrumentos de penitência.
A 10 de Agosto de 1616, aos 24 anos, vestiu o hábito negro-branco da Ordem Terceira de São Domingos. Desde então progrediu ainda mais, a passos de gigante, no caminho da perfeição. Afirmou o seu confessor «que nunca, nem de dia nem de noite, perdia a presença de Deus no seu coração e que a sua alma nunca se manchou com pecado venial».
O Senhor concedeu-lhe a graça de repetir em si mesma as atrozes dores da Paixão de Cristo. No meio das dores Rosa gritava:
«Aumentai as dores; mas, meu Deus, dai-me paciência». Foi a 24 de Agosto de 1617 que a sua alma voou para o céu, admirada em toda a cidade de Lima e amada em todo o Peru.
Oração a Santa Rosa de Lima
Gloriosa Santa Rosa de Lima,
Tu que soubeste o que é amar
A Jesus com um coração tão fino
e generoso ensína-nos tuas grandes
virtudes para que, seguindo teu exemplo,
possamos gozar da tua proteção
na terra e de tua companhia no céu.
Amém.
