
Em duas coisas, segundo o Martirológio Romano se distinguiu o santo de hoje: em virtudes e em milagres. "Em Antioquia - diz - São Macário, célebre pelos seus milagres e virtudes". De fato, o Senhor acompanhou-o bem em ambas as coisas.
Macário nasceu na Armênia, em meados do século X, de pais bem estabelecidos e bons cristãos. Tinham passado vários anos sem ter descendência, embora com muita insistência a pedissem ao Senhor. Por fim, veio alegrar aquele lar este menino, çom o qual a graça e a natureza foram bastante pródigas.
Dizem os seus biógrafos que era bondoso, inteligente, agradecido, simples e humilde, trabalhador e homem de fé muito profunda. Para dar um significado àquele filho, durante tanto tempo desejado, os pais, ao batizá-lo, deram-lhe o nome de Macário que, em grego, quer dizer "bem vindo".
Bem cedo aqueles bons pais começaram a grande obra da sua educação nas virtudes humanas e espirituais. Eles sabiam muito bem que a educação dos filhos é a missão mais sagrada dos pais e que esta deve começar mesmo antes de terem o uso da razão... Bom exemplo encontrou o menino Macário nos seus. Quando já era um pouco mais crescido, enviaram-no para junto do arcebispo de Antioquia, que era seu tio. Aí se foi aperfeiçoando naqueles tesouros herdados dos pais. Chamava a atenção de quantos o contemplavam pelas suas qualidades que raramente são citadas e se encontram numa só pessoa.
Todos acharam tão natural que um dia dissesse aos seus que o Senhor o chamava ao sacerdócio e que não queria defraudá-lo. Todos viram a mão de Deus naquela vocação... Enquanto se preparava para ser sacerdote, procurava progredir dia a dia em sabedoria e santidade... O arcebispo de Antioquia sentia-se velho e doente. Por isso, era lógico que pensasse num sucessor. E assim foi. Certo dia, chamou os diocesanos, e disse-lhes com lágrimas nos olhos, "que estava para partir deste mundo, mas que lhes recomendava um sucessor, que era..." A estas palavras, surgiu enorme gritaria entre a multidão, que repetia o nome de Macário, apesar da sua pouca idade. Era tal o tumulto que não se chegaram a ouvir as palavras do já quase moribundo arcebispo... O desejo deste era claro. O de povo também, mas não assim o do candidato, que pôs quantas dificuldades pôde para evitar aquela dignidade e séria responsabilidade... Por fim, teve que aceitar.
Uma vez entronizado naquela ilustre sé episcopal, entregou-se todo ao cuidado das almas e dos corpos do seu rebanho. Era um verdadeiro pai para todos. A sua ação caritativa e apostólica chegava a todo o lado. Segundo o lema de muitos santos, era "suave com os outros e duro consigo mesmo". Levava uma vida muito mortificada e dedicada à oração e ao serviço da caridade, esquecendo-se de si mesmo. Sobretudo era afetuoso com os leprosos, que abundavam no seu tempo, e eram os seus preferidos. O Senhor deu-lhe o poder de operar milagres e fazia-o com muita frequência, mas a maior parte foram para devolver a saúde aos afetados por esta terrível enfermidade.
Cheio de humildade e com ardentes desejos de uma entrega mais completa ao Senhor, renunciou ao arcebispado e a tudo quanto tinha e transformou-se em zeloso missionário ambulante. Percorreu muitas nações, derramando o Senhor muitas graças por seu intermédio. Os milagres, sobretudo de curas portentosas, seguiam-no por todo o lado. Onde sabia que havia uma necessidade, aí se dirigia Macário para tratar de a ajudar, consolar os tristes, dar comida aos famintos, curar os enfermos... Nisto consistiam as suas delícias e a sua única missão. Atendia aos empestados, defendia os maltratados, oferecia-se por eles... Por fim, encontrou o Senhor em Gante, a 10 de Abril de 1012.
