
O Beato Ruperto Mayer, "o apóstolo de Munique", como o chamou o cardeal Faulhaber, nasceu em Estugarda em 1876. Depois de uma juventude normal, mas em que se preparou conscienciosamente, foi ordenado sacerdote e entrou na Companhia de Jesus. A luz não pode esconder-se debaixo do alqueire, e o zelo apostólico de Ruperto depressa começou a brilhar.
Na primeira Guerra Mundial (1 914-191 8) ofereceu-se, voluntário, como capelão militar e pediu para ser enviado para a frente para estar perto dos soldados mais expostos ao perigo. Estava sempre na primeira linha, sobretudo nos bombardeamentos. Tarifo se distinguiu que lhe concederam a mais alta condecoração. Num dos bombardeamentos, enquanto atendia os feridos, uma granada feriu-o numa perna, que teve de ser amputada. E assim, com uma só perna, esquecendo-se de si mesmo, Ruperto, um homem de Deus, um homem para os outros, chegou a ser o apóstolo de Munique. Tinha feridas a curar, físicas e morais, no pós-guerra, e o P. Mayer trabalhou sem descanso, para aliviar, consolar e socorrer.
Todos recorriam a ele nas suas necessidades materiais. Como responsável da Cantas, realizou um trabalho ingente. Não era menor o seu trabalho em consolar os corações. Passava horas a fio no confessionário escutando, absolvendo, estimulando. A melhor amostra deram-na os fiéis, que, quando o P. Mayer foi encarcerado: rodearam de flores o seu confessionário.
Uma das principais tarefas de apostolado realizou-a como Diretor das Congregações Marianas de Munique. Sob a sua orientação, a Congregação passou, em poucos anos, de 3.000 para 7.000, e converteu-se na força católica mais poderosa da cidade. O zelo dava-lhe asas. Andava incansavelmente de um lugar para outro. Nem ele se lembrava de que lhe faltava uma perna. Cresce a sua popularidade. As suas homilias eram esperadíssimas. Enchem-se as igrejas. As suas palavras brotavam de uma intensa vida de oração.
Falava com coragem apostólica, sem medo das consequências, defendendo a fé, a Igreja, os direitos dos fiéis. O choque com o nacional-socialismo era inevitável. A Gestapo proibiu-o de pregar.
Ele continuou a pregar e foi encarcerado. Saiu do cárcere e continuou a pregar, alentado pelos seus superiores e pelo cardeal Faulhaber. Foi de novo preso e posto em liberdade. Detido pela terceira vez, em 1939, foi deportado para o campo de concentração de Orianenburg, perto de Berlim. Em 1940 foi confinado na abadia de Ettal, no sul da Baviera.
Esta sua oração descobre-nos o seu espírito: "Senhor, aconteça o que Tu quiseres e como Tu quiseres. Eu estou pronto, hoje e sempre. Senhor, o que Tu quiseres, eu o aceito. O que Tu quiseres para mim é um benefício, basta que eu seja teu. Senhor, porque Tu o queres, está bem, eu descanso nas tuas mãos".
Libertado em Maio de 1945, morreu em Munique em 1 de Novembro do mesmo ano, enquanto pregava na missa. Todos choraram a sua morte, os pobres, os profissionais, os membros das Congregações Marianas...
Desde então, a cripta de Burgersaal, em Munique, onde repousam os seus restos, é o lugar mais concorrido da cidade. Até cinco ou seis mil pessoas, de todas as idades e condições vêm diariamente cobrir a cripta de flores e a orar diante dele, para que continue a iluminá-los lá do céu.
O dia 3 de Maio de 1987 foi um dia grande para Munique. Nesse dia, João Paulo II, na sua visita pastoral à cidade, celebrou a solene cerimônia da beatificação do P. Ruperto Mayer. Dia de gozo e de esperança para todos.
