14 Jul 2026
São Camilo de Lélis, presbítero e fundador (+1614)
Imagem do santo do dia

São. Camilo nasceu em Bucchianico, na costa do Adriático, onde o pai dele acampava como militar. Foi no dia de Pentecostes, do ano Santo de 1550. Era filho único, e já tardio, que veio encher o lar de alegria.

Camilo tinha um caráter duro e resoluto, muito batalhador, como seu pai. Seus pais morreram, sendo ele ainda criança. Camilo ficou só e doente, pois tinha uma chaga que não-conseguiam diagnosticar, uma chaga que toda a vida o acompanhará e que o fará sofrer sem descanso.

Dirige-se a Roma ao hospital de Santiago. A chaga cura mas reaparece. Apodera-se dele então um mau vício: o do jogo. Algumas vezes chegou a jogar até a própria camisa. Oferece-se como soldado. Participa em Túnis e noutras batalhas. Arrisca a vida e o que ganha perde-o no jogo. Muitas vezes tem que pedir esmola. Depois trabalha num convento de capuchinhos como pedreiro.

Um dia, enquanto caminhava de um convento para outro, uma luz iluminou-o. Sentiu o chamamento de Deus e caiu por terra chorando. Pediu o hábito capuchinho. Três vezes começa o noviciado e outras tantas se reabriu a chaga; vai para Roma. Ali, pela terceira vez, descobre a vocação.

Desde Outubro de 1589 entrega-se aos doentes por toda a vida. Tenta fundar uma confraria para os enfermos. Põem-lhe entraves.Nem sequer São Filie de Néri, que o apreciava muito, o compreendeu. Aproveita os tempos livres e estuda teologia no Colégio Romano.

Em 1584 é ordenado sacerdote. Sai do hospital e com um pequeno grupo estabelece-se junto da igreja da Madalena. Sixto V aprova-os como sociedade sem votos para se dedicarem aos doentes. «Os Camilos», assim se chamavam. No hábito traziam uma cruz vermelha.

A situação dos hospitais era calamitosa em higiene e atenções. Não era nenhuma exceção o hospital do Espírito Santo, onde Camilo e os seus se desdobravam numa entrega e dedicação total aos enfermos e moribundos. Camilo reservava sempre para si os casos mais difíceis. Quando havia peste, o que era frequente, chegavam ao heroísmo. Muitos morriam atendendo aos empestados.

Camilo teve muitos conflitos, externos e internos, na sua missão. Chegou a abandonar o generalato da Ordem. Mas defendeu sempre o carisma: servir a Cristo nos enfermos. Por este serviço seremos julgados.

A vida de Camilo «causava espanto». Com a sua ferida, com uma hérnia, com dois furúnculos, com estômago débil, passava longas horas com os doentes, cuidando-os como uma mãe, ajudando-os a morrer, esquecido de si mesmo, sem comer nem dormir. Assim viveu o seu sacerdócio.

Recolhia os empestados e andrajosos pelas ruas de Roma. Sofria ao ver assim aqueles sagrados membros de Cristo. Tratava-os como se fossem príncipes. Cobria-os com o seu manto. Às vezes eram quinze alfaiates a trabalhar para os seus pobres. Não cosiam roupas, segundo ele dizia, mas ornamentos sagrados.

Um dia caminhava com um noviço. O sol queimava. - Irmão, disse-lhe, caminha atrás de mim. Eu sou mais alto. Assim farei sombra e defendes-te do sol. E caminhava ajustando-se à incidência do sol para que os seus raios não atacassem o noviço. Camilo sentia-se feliz porque podia oferecer, inclusive, a sua sombra.

Considerava o serviço aos doentes como uma ação litúrgica. Recolhia nos braços o enfermo como se se tratasse do corpo de Cristo. Acariciava o rosto do doente, como se fosse o sagrado rosto do Senhor.

Totalmente esgotado, caiu gravemente doente. A 16 de Julho de 1614 voava para o céu, sua pátria, como ele dizia. Bento XIV canonizou-o em 1746. Com São João de Deus, é padroeiro dos doentes e enfermeiros.

São Camilo de Léllis (Protetor dos Enfermos)

Piedosíssimo São Camilo que chamado por Deus para ser o amigo dos pobres enfermos, consagrastes a vida inteira a assistí-los e confortá-los, contemplai do Céu os que vos invocam confiados no vosso auxílio. Doenças da alma e do corpo fazem de nossa pobre existência um acúmulo de misérias que tornam triste e doloroso este exílio terreno. Aliviai-nos em nossas enfermidades, obtende-nos a santa resignação às disposições divinas, e na hora inevitável da morte confortai o nosso coração com as esperanças imortais da beatífica eternidade.

São Camilo de Léllis, rogai por nós. Amém.