
E bela a vida deste grande santo da Ordem de Santo Agostinho. As crônicas do seu tempo pintam-no encarnando em si duas naturezas ou dois homens: o apostólico, cheio de zelo pelo bem dos irmãos e o ermita, entregue à solidão e maceração do corpo, numa vida de total oração. Um e outro caminho ele soube percorrer, e bem.
De seus pais diz o processo de beatificação: «Eram pessoas de muita fé bem vivida e bons cristãos e frequentavam as práticas de piedade. Deles se dizia, como é costume, que eram boas pessoas, que se abstinham de fazer o mal e faziam o bem». E o próprio filho, o nosso Nicolau, dá-nos este belo testemunho: «O meu pai e a minha mãe disseram-me em muitas ocasiões que, apesar de não serem pessoas nem de talento nem ricas de bens materiais ou econômicos, desejavam filhos e para isso fizeram promessa a São Nicolau de Bari, que, se o Senhor lhes desse prole por sua intercessão, a consagrariam à vida religiosa, quer fosse filho quer fosse filha. Feito o voto, foram em peregrinação a Bari para alcançar tudo o que tinham pedido. Ao voltar, minha mãe deu-me à luz como ela me contou. «Mas, disse-me, não queiras saber mais, nem digas a ninguém o que eu te contei.
Como viveu a sua meninice este menino assim milagrosamente alcançado? É outra testemunha que no-lo conta: «Era muito devoto e frequentava todas as cerimônias religiosas, apesar da sua meninice. Conheci o seu espírito de penitência: até às três da tarde, quando voltava da escola, não provava nada de comer. Nunca se via ficar pela rua para jogar com as outras crianças. Era amigo de dar esmolas à família Gurutti e distribuía grande quantidade de bens com grande caridade e piedade, especialmente pelos meninos pobres. Era voz comum no Castelo de Santângelo que Nicolau era santo e chamado a alcançar uma grande santidade»,
Já então recebeu graças especiais do Senhor. Pouco antes de morrer, revelará a outro religioso sob grande sigilo: «Meu irmão, a inocência de que falamos perde-se com os anos. Na verdade, eu sou um pecador, como tu muito bem sabes. Naquela idade inocente, assistindo ao sacrifício da missa, via com estes meus olhos um Menino todo vestido de branco, cheio de resplendor, que à elevação da Hóstia me dizia: "Os inocentes e os bons são-me muito queridos". Com o decorrer dos anos ficou privado daquela visão.
Desde muito criança conheceu os ermitãos agostinhos e disse: «Eu também quero ser agostinho». E esse desejo de criança converteu-se em realidade, quando atingiu a idade necessária. Talvez tenha sido por volta de 1259,1260, que o nosso jovem se entregou em profundidade a viver a vida religiosa do noviciado agostinho, procurando assimilar a doutrina do seu Santo Padre fundador e todas as práticas da vida religiosa...
Progrediu nos estudos, ordenou-se sacerdote e entregou-se em cheio a toda a espécie de apostolado, sobretudo, ao da pregação e obras de caridade.
O processo da sua beatificação pinta-o assim: puro, modesto, sem ambições, tranquilo, amável, comunicativo, leal, humilde, discreto... Levava uma vida de grande mortificação. Passava longas horas sem provar nada e atormentava o corpo com muitos cilícios.
As conversões que realizava e os prodígios que o Senhor fazia por seu intermédio corriam de boca em boca. Todos o tinham como santo enquanto ele se julgava um grande pecador.
Recebeu grandes consolações da parte do Senhor e da Virgem Maria a quem professava terna devoção. Ela apareceu-lhe poucos dias antes de morrer para lhe dizer que o levaria para o céu dentro de dez dias. A 10 de Setembro de 1305, aos setenta anos, dizendo, «Ofereço-me em sacrifício de louvor a Vós, Senhor», expirou.
Oração de São Nicolau de Tolentino
Oh! glorioso Taumaturgo e Protetor das almas do purgatório, São Nicolau de Tolentino!
Com todo o afeto de minha alma te rogo que interponhas tua poderosa intercessão em favor dessas almas benditas, conseguindo da divina clemência a remissão de todos os seus delitos e suas penas, para que saindo daquele tenebroso cárcere de dores, possam a ter no céu a visão beatífica de Deus.
E a mim, teu devoto servo, alcançai-me, oh! grande santo!, a mais viva compaixão e a mais ardente caridade até aquelas almas queridas.
Amém.
São Nicolau de Tolentino, rogai por nós.
São Nicolau de Tolentino, rogai vos pedimos pelas Santas Almas do purgatório.
