Santo Álvaro de Córdoba, presbítero (+1430)

Comemoram-se hoje dois santos Álvaro de Córdoba, distantes entre si uns cinco séculos. Do primeiro, a quem Santo Eulógio, mártir de Córdoba, chama "doutor egrégio e em nosso tempo uma fonte abundante de sabedoria".., pouca coisa se sabe ao certo. Interessa-nos sobretudo o outro Álvaro, a quem talvez seus nobres pais puseram este nome como recordação do primeiro.

O nosso Álvaro de Córdoba nasceu cerca de 1358, de família rica, sendo seus pais D. Martín e D. Sancha. Tinham a esperança de que seu filho honraria os seus ilustres apelidos de Martín López de Córdoba e Alfonso Carrilho. O jovem Álvaro era inteligente, simpático, aberto e devorador de livros. Em Córdoba, formou-se no já famoso Colégio dominicano, chamado Real Convento de São Paulo.

Foram maus anos aqueles para a Igreja e em geral para toda a humanidade: a Peste Negra dizimou

Apesar disso, os bons exemplos que via em muitos religiosos e a necessidade que ele sentia de corações generosos que lutassem pela Igreja, tão duramente atacada, foi sem dúvida o móbil que o levou a chegar um dia às portas do convento dominicano pedindo o hábito da Ordem.

Feitos os estudos com a seriedade e profundidade características da Ordem dominicana, ordenou-se sacerdote e ensinou Artes e Teologia no mesmo convento de São Paulo. Depois, foi para Salamanca e na sua Universidade obteve o Magistério em Teologia.

Toda a geografia nacional e outras partes da Europa conhecem as correrias deste fogoso apóstolo, a quem já no seu tempo comparavam ao seu irmão de hábito e santidade, São Vicente Ferrer (+1419). Ele não pôde consentir que a Igreja estivesse prostrada por terra com tanto abuso, fruto sem dúvida dos que se aproveitavam daquelas calamidades perante tanta confusão, que muita havia de ser, pois até os próprios santos não sabiam onde estava a verdade. Todos julgavam possuí-la: os que obedeciam ao papa de Avinhão, os que o faziam ao de Roma, e por fim, os que eram fiéis ao Papa surgido em Pisa, como tentativa de resolver a questão, mas que tudo piorou.

Foram estes anos, de 1378 a 1417, o tempo que durou o tristemente célebre Cisma do Ocidente, anos verdadeiramente dramáticos, como até aí nunca vistos.

Álvaro tinha idéia muito claras para acabar com a corrupção de costumes de tantos sacerdotes e leigos cristãos, reis e gente simples, que só pretendiam crescer à custa da fé e da religião: orar muito, levar uma vida de austeridade e ser fiéis ao Evangelho a todo o custo. Para levar avante esta missão, sacrifica-se, percorre províncias e reinos, prega incansavelmente, ora com fervor, escreve com fogo, fala com reis e com quantos a ocasião lhe depara...

Cria inimizades em diversas Cortes, mas ele, no entanto, permanece nelas enquanto vê que a sua influência pode ser eficaz. Organiza a Via Dolorosa na Terra Santa, fomentando a nossa atual Via Sacra. Foi o paladino da reforma. Além dos muitos conventos que reformou, fundou um deste tipo no qual quis passar os últimos anos de vida, o chamado Escalaceli onde, cheio de méritos, numa tarde do ano 1430, voava para a eternidade. Dizem que os próprios anjos, que o tinham ajudado na construção do seu Convento reformado, agora voavam pelos céus de Córdoba anunciando a boa nova...