Santa Joana Francisca Fremyot de Chantal, religiosa e fundadora (+1641)

Quem nos fornece os seus primeiros dados biográficos é ela própria: "Chamo-me Joana Francisca Fremyot, natural de Dijon, capital do Ducado da Borgonha. Sou filha do Sr. Fremyot, presidente do Parlamento de Dijon, e da Sra. Margarida de Barbysey.

Teve uma infância e juventude próprias da nobreza a que pertencia. Era muito elegante, com porte digno de cativar a qualquer um: bondosa, bonita, modesta, boa conversadora, rica de conhecimentos e de piedade. Era o que se pode dizer uma jovem do seu tempo. Apaixonou-se loucamente pelo Barão Rabutin Chantal com quem se uniu em matrimonio e a quem amou com toda a sua alma.

O Barão soube corresponder a esse amor. Quando se encontrava fora de casa, parecia que Joana Francisca estava de luto. Quando ele voltava, arranjava-se com as melhores galas, saía a recebê-lo e a alegria voltava ao seu rosto. Por isso, quando o Senhor lhe pedir o sacrifício da vida do seu esposo, ela suplicará com todas as suas forças: "Senhor, pede-me o que quiseres; estou disposta aos maiores sacrifícios, contanto que não mo leves". E quando ele finalmente morreu, ela chorou-o inconsolável durante muito tempo. Os familiares e amigos julgaram que também ela iria morrer. Enfraqueceu tanto que só tinha pele e osso.

Francisca é uma maravilhosa dona de casa. Todos a estimam e admiram. Educa os filhos cristãmente, dedicando-lhes um amor muito terno. Era muito meiga com os criados. De tal modo que estes depuseram no processo da sua beatificação: "A Senhora serviu a Deus a quem muito amava e praticava continuamente a virtude, mas sem chamar a atenção. A ninguém aborrecia com as suas rezas. Era muito atenta e boa para com todos".

Todavia, as cruzes nunca lhe faltaram. Por isso, o seu coração nunca se apegou às coisas deste mundo. Quando, ficou viúva, em Vez de se refugiar com seu pai, que a idolatrava, ou ficar no palácio, decide continuar ao lado do sogro que tinha um carácter muito áspero, como se fosse feito de fel e vinagre. Sete anos a seu lado, foram cruzes sem conta que teve de suportar esta mulher de grande sensibilidade.

Mas nem tudo havia de ser desconforto e mão dura da parte do Senhor. O santo Bispo de Genebra São Francisco de Sales - pôde dizer dela: "Achei em Dijon, onde Francisca vivia, aquilo que Salomão não pôde encontrar em Jerusalém: achei a mulher forte na pessoa da senhora Chantal".

O encontro com São Francisco de Sales foi providencial. Ia ela um dia a cavalo quando viu junto dum bosque um venerável sacerdote, a rezar o breviário. Pouco depois, este mesmo sacerdote viu numa espécie de visão uma mulher jovem, viúva, modesta. Um impulso interior disse-lhe que ela seria o instrumento que o Senhor lhe destinava para a obra que pensava levar a cabo.

Esse sacerdote veio um dia pregar a Dijon. Era o Bispo de Genebra, São Francisco de Sales. Francisca começou a ter direção espiritual com ele e ele viu que a obra estava a levar bom caminho. De modo prodigioso e como se fossem Florinhas de São Francisco de Assis, começa a estender-se e deitar raízes a obra das Religiosas da Visitação. Nos arredores de Annecy, numa modesta casita, reúne-se um grupo de mulheres que querem seguir totalmente a Jesus Cristo. Era o princípio da Obra da Visitação. Muito tiveram que sofrer os dois santos. Não faltaram falatórios e zombarias. Mas como era obra de Deus, tudo seguiu em frente.

Um dia, a varonil Joana Francisca ver-se-á obrigada a passar por cima do corpo de seu filho que a impede de responder à chamada de Deus. Amava-o muito, mas o amor a Deus era ainda maior. Por fim, a 13 de Dezembro de 1641, carregada de boas obras, a jovem, a esposa, a viúva, a religiosa e a fundadora partia para a eternidade. As suas religiosas continuam a seguir-lhe o exemplo.