Beata Maria dos Anjos (+1717)

Nasceu em Turim, Itália, a 7 de Janeiro de 1661. Foi a última dos 11 filhos dos Condes João Donato Fontanella de Baldissero e Maria Tânia de Santena. Era parente em quarto grau de São Luís Gonzaga.

Teve uma educação muito esmerada como competia a uma família tão nobre e cristã.

Quando era ainda muito pequenina, sobreveio-lhe uma doença rara que levou os médicos a desengana-la. Mas por intercessão da Santíssima Virgem Maria, curou-se por completo. Embora fosse já boa, a partir de então começou uma vida de m8ior sacrifício e mais oração.

Parece que o Senhor já a predestinava para si. Certo dia, começou a ajeitar os seus caracóis formosíssimos e a contemplar-se ao espelho, mas, em vez de ver o seu rosto, viu nele o de Jesus todo cheio de chagas e escorrendo sangue. Aquela imagem gravou-se profundamente na sua memória e ajudou-a a mortificar as suas ternas carnes, como o fizeram os Santos antigos mais fervorosos.

Por ordem dos superiores, escreveu a sua autobiografia. Nela nos conta as ardentes ânsias que senta por fazer a sua Primeira Comunhão. Com ricos pormenores diz que, por insinuação do confessor, ainda antes de receber Jesus pela primeira vez, às pessoas mais velhas lhes parecia que ela já o recebia.

Maria Ana, tal era o seu nome antes de ser religiosa, tinha 15 anos quando morreu o pai. A mãe encarregou-a da direção da casa, cargo que desempenhou às mil maravilhas. Preocupava-se com tudo e com todos. Nenhum pormenor lhe escapava. Servia a todos com grande caridade.

Ela mesma conta a origem da sua vocação. Estava um dia a contemplar duma varanda a exposição pública do Santo Sudário de Turim, e na mesma varanda estavam também os Padres Carmelitas. Começou a chover e o Padre carmelita Francisco António, para que ela não se molhasse, tapou-lhe a cabeça com um pedaço da sua capa. Ela saltou de alegria, parecendo-lhe que era um chamamento da Virgem e, ao voltar a casa, disse extasiada: "Serei carmelita! Serei carmelita!" O referido Padre tinha-lhe dito que ingressasse no Carmelo daquela cidade.

A 19 de Novembro de 1676, vestia o hábito no convento do Carmelo de Turim, mudando o nome para Irmã Maria dos Anjos. O inimigo não a deixava descansar, sobretudo com os laços de família que amava com toda a alma. Ela voltava-se para Jesus e dizia-Lhe:

"Bem vedes, meu Amor, quanto me custa deixar a minha mãe, mas ofereço-vo-la a ela e tudo o resto. Em troca, aceitai-me como filha e vossa esposa.

A 26 de Outubro de 1677, emitia os votos religiosos cheia de grande alegria. Se tinha sido modelo de noviças, agora sê-lo-ia de professas. Todas se fixavam nela. Parecia um anjo quando punha as mãos. Fazia tudo bem, à imitação do Mestre. Ela sabia que era preciso aproveitar o tempo. Por isso, em 1702 fez o voto heróico de "fazer sempre o que fosse mais perfeito". Isto estimulava-a a fazer tudo na presença de Deus. Antas de fazer qualquer coisa, interrogava-se se aquilo era ou não da vontade de Deus.

A sua vida era duma entrega profunda à contemplação. Quando professou, tomou seis propósitos, cuja observância foi o trampolim que a elevou a santidade. Foi Prioresa durante vários triênios. A 16 de Dezembro de 1717, à tarde, expirava santamente.