Santo do dia


São Januário, bispo e mártir (+305)

 

 

 

Nápoles, apesar de viver sob a ameaça do Vesúvio, é uma cidade privilegiada, por causa do clima suave, da natureza exuberante e da situação da sua bela baía. Mas Nápoles, a antiga Parténope, é privilegiada sobretudo porque, além de conservar as cinzas do pie¬doso poeta pré-cristão, Virgílio, goza da permanente proteção de São Januário Pode dizer-se que a devoção a São Januário faz parte da história de Nápoles.

 

 

São Januário era bispo de Benevento, perto de Nápoles. Morreu mártir na perseguição de Diocleciano, a última que a Igreja sofreu antes da paz de Constantino. A mesma em que sofreram o martírio, em Espanha, Vicente, Eulália, Severo, Engrácia e os inumeráveis mártires de Saragoça.

 

 

Januário foi preso quando se dirigia à prisão para visitar os seus cristãos. Segundo a tradição, saiu ileso de um forno bem aquecido, onde o tinham lançado. Foi conduzido a Pozzuoli, primeira terra italiana pisada por São Paulo, a caminho de Roma, como se conta nos Atos dos Apóstolos. Foi lançado às feras no anfiteatro, que também o respeitariam. Finalmente foi degolado. Acompanhavam-no no martírio os diáconos Sósio, Próculo, Festo e Desidério, que tinha o ministério de leitor, Eutíquio eAcúcio. Os cristãos recolheram, como era costume, um pouco do sangue dos mártires, numa ânfora, para o colocar no seu túmulo.

 

 

Os restos de Januário foram levados de Pozzuoli para Benevento, e em 1497, por ordem de Alexandre VI, foram colocados definitivamente na catedral de Nápoles, numa bela capela que os napolitanos construíram em sua honra em 1608, em agradecimento por terem sido libertados da peste de 1527. A capela está ricamente ornamentada e é uma autêntica jóia de arte. Entre os pintores estão Dominiquino e Ribera, o Espanholito.

 

 

Foram várias as ocasiões em que os napolitanos sentiram a proteção do Santo, além da epidemia da peste de 1527. Entre elas, a erupção do Vesúvio em 1631, tão espantosa como a do ano 79, quando ficaram totalmente destruídas as cidades de Pompeia e Herculano. E também quando o cólera de 1884 devastou a região, ficando apenas Nápoles salva.

 

 

Mas a devoção a São Januário é conhecida sobretudo pela liquefação do seu sangue. Todos os anos, a 19 de Setembro, o sangue de São Januário, que se conserva em duas pequenas ânforas de vidro, onde está em estado sólido, torna-se líquido e de cor vermelho viva, como se recentemente derramado. Também muda de volume e de peso. Junta-se uma grande multidão para venerar o Santo, e todo o povo pode contemplar o fato Quiseram-se encontrar explicações naturais para a liquefação, mas nenhuma delas é plenamente satisfatória. O conteúdo das ampolas foi submetido a exame espectroscópio. E o resultado é que se trata de sangue humano e que ocorrem os fenômenos descritos.

 

 

Para os napolitanos é uma clara demonstração de que o seu santo padroeiro lhes oferece proteção e intercessão, a favor deles, diante do trono de Deus. Quando os ishaelitas celebravam a primeira páscoa no Egito, o anjo exterminador passava ao lado das casas que tinham as portas marcadas com o sangue do cordeiro ritual.

 

 

Somos membros do Corpo Místico de Cristo. Formamos como que uns vasos comunicantes. Tudo entre nós é comum. O sangue dos Santos, derramado por Cristo, unido ao sangue salvífico do Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo, tem também valor de intercessão e proteção.

 

 

 

Oração a São Januário

 

 

Oh! Januário atleta da fé de Jesus Cristo, patrono da católica Nápoles, volta o teu olhar benigno para nós, e digna-te a acolher os votos que com plena fé no teu poderoso patrocínio depositamos hoje aos teus pés.

 

 

Quantas vezes acorreste solícito em ajuda dos teus concidadãos, às vezes desviando o caminho da lava exterminadora do Vesúvio e, às vezes, prodigiosamente nos libertando da peste, dos terremotos, da fome e de tantos outros castigos divinos os quais lançavam o medo em nosso meio!

 

 

 

O perene milagre da liquefação do teu sangue é sinal seguro e mais que eloquente de que vives em meio a nós, conheces as nossas necessidades e nos protege de uma maneira assaz singular.

 

 

 

Ora! Ora por nós que a ti recorremos, seguros de sermos atendidos; e liberta-nos de tantos males, que de toda parte nos oprimem. Salva a tua Nápoles da incredulidade invasora, e faz com que aquela fé, pela qual generosamente sacrificaste a tua vida, renda sempre em nosso meio, frutos de santas obras. Assim seja, Amém