05 Jan 2026
São Simão, Estilita (+459)
Imagem do santo do dia

O essencial da santidade e o seguimento de Cristo, imitando-o. Mas o estilo e a maneira de o compreender depende muito das épocas, lugares e temperamentos. São Simeão Estilita é mais digno de admiração do que de imitação, só explicável pelas circunstâncias do seu ambiente. Gastou todo o seu engenho em descobrir cada dia uma nova modalidade ascética, sempre progressiva, para oferecer-se a Cristo em constante oblação. Santo estranho.

E mesmo assim, também ele nos transmite a sua mensagem. Muitos poucos cumpriram tão perfeitamente na sua carne "o que falta à paixão de Crista", na frase de São Paulo. Cada um dos santos reflete um raio do infinito arco-íris da santidade de Deus.

São Simeão é o fundador do movimento dos estilitas, homens que viviam no alto de uma coluna, em oração ininterrupta. Teodoreto, Padre da Igreja e discípulo do Santo, contou-nos a sua vida singular. Foi um milagre de penitência, de oração e de martírio voluntário.

Era um pastorinho de Sisán, entre a Síria e a Cílicia. Uma vez entrou numa Igreja no momento em que liam as Bem-aventuranças. Aquelas palavras impressionaram-no vivarriente.

Um ancião monge interpretou-as. Imediatamente, instigado por uma luz interior retirou-se para um mosteiro, onde espantou os próprios heróis do deserto com a sua austeridade. Passava semanas sem comer, dormia sobre pedras e trazia à cintura um cilício de mirto selvagem.

Mais tarde percorreu paragens solitárias, procurando novas austeridades. Passou um ano numa cisterna seca. Depois emparedou-se numa cova. A fama do seu heroísmo transcende lugares. Acodem multidões para contemplar aquele milagre de penitência. Desejando esconder-se dos olhos do mundo, fugiu de novo para cima de um monte, para dedicar-se sem dificuldades à oração. Porém, logo o descobriram e de todas as partes acorriam pessoas para ver e falar com o homem de Deus, prodígio de penitência e oração.

Então planeou um novo tipo de vida ascética: viver sobre uma coluna - stylos, estilita, em grego - suspenso entre o céu e a terra, exposto ao sol, ao frio e aos ventos, como uma estátua vivente, só para Deus. Levantou primeiro uma coluna de pedras, de três metros, mais tarde de seis metros e, por fim, de dezoito, para que ali ninguém o interrompesse na oração. Assim, já não lhe poderiam falar.

As pessoas continuaram a acorrer, até de Espanha e de França, para contemplar aquele homem admirável, que permanecia imperturbável perante as inclemências do tempo, sempre no alto da coluna. Ali estava o homem de Deus, rezando ao Senhor, dia e noite, quase sempre de pé. Umas vezes com os braços em cruz, outras vezes deixava-os cair atrás das costas, como um círio sobre a peanha da coluna. Era "a luz posta sobre o monte", como círio ou como cruz.

Assim viveu trinta anos em cima da coluna, como uma tocha que orientava os olhos de todos para Deus.

Deste modo se ia consumindo Simeão, como lâmpada votiva na presença do Senhor. Ali estava, em puro louvor divino. E ao ver chegar as multidões, oferecia por todos a sua oração. Ali estava estilizando-se na crescente levitação, consumindo-se como um círio. Aquele mudo pregador atingia-lhes como ninguém o coração, choravam os seus pecados e convertiam-se. Simeão, desapegado totalmente da terra, consumiu-se como um círio perante o seu Deus.