18 Jul 2026
Santo Aleixo (+princípios do Séc V)
Imagem do santo do dia

Santo Aleixo é um caso singular da Lenda Dourada, que foi transmitido, através dos séculos, sem perder louçania e frescura.

Era filho de um rico senador romano, Eufemiano. Sendo filho único, seus pais deram-lhe uma esmerada educação, sem atender a gastos.

Também não foram parcos na preparação da boda de Aleixo. A noiva pertencia igualmente à aristocracia, O casamento celebrou-se na igreja de São Bonifácio. Houve esplendor e grandes festejos. Muitos milhões de sestércios gastou naquele dia o magnífico senador Eufemiano.

Já desfilavam os convidados, quando o senador disse a seu filho: «Entra na câmara nupcial, onde tua esposa te espera»... A esposa contou depois o sucedido. Ele falou-lhe desenvolvidamente das vantagens da vida dos monges. E com tanta convicção e graça que a deixou embasbacada. Tirou o anel de desposado e entregou-lho. «Guarda-o, disse-lhe, e que o Senhor esteja conosco». E desapareceu, no escuro da noite.

Seu pai enviou criados à procura do filho, pelos desertos cenóbios do Egito e Síria. Outros chegaram até à Espanha, às Gálias e à Grécia. A mãe ficou em casa a chorar, e a esposa chorando também, enquanto aguardava o regresso.

Dois criados chegaram até Edessa, à Mesopotâmia, em busca do jovem esposo. Iam ali muitos peregrinos venerar o sepulcro do apóstolo Tomé e beijar a carta, que, segundo uma ingénua tradição, tinha escrito Jesus Cristo ao rei Abgar. Assim o confirma Etéria, a peregrina.

Nada conseguiram os criados e discutiam que destino deveriam tomar. Um mendigo, com ares de aristocracia, ao ouvir falar latim aproximou-se deles. Explicaram-lhe a tragédia dos amos, a tristeza inconsolável da jovem esposa, abandonada na noite de núpcias e a inútil procura. O mendigo comoveu-se, mas dissimulou. E eles voltaram a Roma sem notícias.

O mendigo, ao alcançar fama de santidade em Edessa, depois de muitos anos, partiu. Tomou um navio para Tarso, para visitar o templo dedicado a São Paulo. Mas uma tempestade desviou o barco que atracou na costa da Itália.

Chegou a Roma, onde pensou que ninguém o conhecia. Pedia esmola em São João de Latrão. Um senador muito velho deu-lhe um moeda de ouro. Outro mendigo explicou-lhe que se chamava Eufemiano e contou-lhe a sua tragédia.

O nosso mendigo ofereceu-se ao senador: «Recebei-me em vossa casa como criado, para que o Senhor abençoe a vossa velhice e se compadeça do vosso filho perdido». O senador aceitou-o elevou-o para o seu palácio no Aventino.

Destinaram-lhe um cubículo debaixo de umas escadas. O senador esqueceu-se dele. A ama da casa e a nora sentiam medo diante daquele homem misterioso. O mendigo passava dias e noites a rezar, jejuando e fazendo penitência. Vivia feliz, só com Deus. Apenas saía aos Domingos para assistir à missa.

Assim viveu dezessete anos. Um dia correu fama em Roma da sua santidade. As pessoas acorreram a vê-lo. O criado que cuidava dele certificava a sua santidade. O senador acorreu ao cubículo do mendigo. Acabava de morrer. Na sua mão havia um pergaminho:

«Meu senhor e pai»... E contava a história: a sua fome, a sede, as peregrinações, desde o dia em que, no meio do banquete nupcial, ouviu a voz deDeus que lhe dizia:" O que deixar seus pais, sua mulher, por amor de mim, receberá cem vezes mais, e depois a vida eterna». E assinava: Aleixo.

A mãe e a esposa lançaram-se sobre o corpo inerte, cobrindo-o de lágrimas. Eufemiano chorava também. O papa Inocêncio mandou recolher os sagrados despojos e levá-los solenemente para a igreja de São Bonifácio.

Oração a Santo Aleixo

Deus, nosso Pai, vós sois aquele que tudo vê, tudo escuta, tudo faz, tudo cria e tudo, revelando-se sem se mostrar. A exemplo de Santo Aleixo, busquemos a simplicidade de vida, pois vós sois o Simples, o Indivisível, e somente os simples verão a vossa face única e verdadeira. Dai-nos a retidão no falar e no agir, a compaixão no acolher e a dedicação em servir, pois realizar essas coisas é participar das vossas bem-aventuranças. Por Cristo nosso Senhor Amém.