
São João de Ávila nasceu em 1499 ou 1500 em Amodóvar do Campo, Cidade Real. Estudou Leis em Salamanca e passou a Alcalá para se dedicar às Ciências Sagradas, como discípulo predileto de Domingo Soto. Também os livros de Erasmo, saturados de espírito paulino e ansiosos de reforma, tiveram nele grande influência. Foi o seu discípulo mais qualificado, diz Frei Luís de Granada.
Ordenado sacerdote em 1525, celebra a sua primeira missa, que termina com um ágape fraterno, rodeado de doze pobres. Vende o seu patrimônio, entrega o dinheiro aos pobres e entrega-se ao seu apostolado, a pregação.
A sua vida será um incontido torvelinho interior. Sonha como Teresa e Rodrigo ir para terra de infiéis em busca do martírio. Pensa partir de Sevilha com o P. Garcês, dominicano, primeiro bispo de Taxcala. Não pôde ir, porém. Talvez por ser cristão novo. Talvez pelo encontro com Fernando de Contreras, amigo de Loca do Sacramento e que tanto trabalhou pela redenção dos cativos. Contreras, confessor do arcebispo de Sevilha, D. Alonso Manrique, apresentou-lho. «Aqui estão as suas Índias», disse-lhe. E ficou.
E começa o magistério sublime do Mestre Ávila, magistério enquadrado numa vida intensa de oração e ascetismo. Saciava o seu espírito com horas de estudo das Sagradas Escrituras e de íntima comunicação com o Senhor. Seguia-se logo o transbordar nos seus elevados escritos: Audi filia, Epistolário, Tratados do Amor de Deus e do Sacerdócio, Exercícios Espirituais, Tratados de Reforma para o Concílio de Trento, que entregou ao arcebispo de Granada, D. Pedro Guerrero... E nos seus Sermões sobre a Eucaristia, o Espírito Santo, a Virgem Maria,... Alguns dos seus escritos foram mal interpretados, pelo que esteve um ano preso pela Inquisição. Talvez por isso não assinou a tradução de Kempis, que durante algum tempo foi atribuída a Frei Luís de Granada. Por fim tudo se esclareceu.
Percorreu os púlpitos de Ecija, Priego, Montilha, Granada, Baeza, Zafra... Para isso renuncia a canonicatos, ao bispado de Segóvia, ao arcebispado de Granada, a ser confessor de Filipe II e ao capelo cardinalício. O seu modelo era São Paulo. «Ouvi São Paulo, explicado por São Paulo», exclamou um teólogo dominicano, depois de o ouvir. E Cienfuegos: «A sua língua e a sua pena eram dois clarins por onde o Espírito Santo emitia fogo»
Trabalhou muito pela reforma do clero, com a sua escola sacerdotal. Fundou 15 colégios e a Universidade de Beza. «Calejar os joelhos na oração mais do que gastar os olhos np estudo», recomendava.
Edificava a todos com a celebração da missa. «Trate-O bem, que é Filho de bom Pai», disse um dia a um sacerdote apressado. Professava um terna devoção à Virgem Maria: «Preferia morrer a viver sem devoção à Virgem». Era muito austero. «Com esse ruído espantará as ovelhas», disse um dia a um sacerdote pelo frou-frou da seda da batina.
A influência de São João de Ávila foi sem igual. inácio de Loiola, Francisco de Borja, João de Deus, Pedro de Alcântara, Teresa de Jesus, Luís de Granada, João de Ribera Sancha Carrilho... Todos receberam dele.
Foi chamado campeão da verdadeira Reforma, sol pelo exemplo, luz pelas palavras, fogo pelos escritos, mestre de santos, apóstolo da Andaluzia, diretor espiritual do século de ouro, padroeiro do clero secular espanhol.
Em Montilha passou os últimos anos, doente, entregue à oração, à penitência, ao confessionário. A 10 de Maio de 1569 partiu para o paraíso. Paulo VI canonizou-o em 1970. Esperamos que seja declarado Doutor de Igreja.
