04 Nov 2026
São Carlos Borromeu, bispo (1584)
Imagem do santo do dia

São Carlos Borromeu nasceu em 1538 em Arona, Lombardia. Pertencia à ilustre família dos Médicis e recebeu educação universitária em Pavia. Era um jovem austero, trabalhador e responsável.

Quando em 1559 foi coroado Papa, com o nome de Pio IV, seu tio o cardeal Médicis, e muitos sobrinhos apareceram esperando prebendas. Era a ganga tão nociva do nepotismo. Carlos não se aproximou. Continuou o seu trabalho.

Foi seu tio quem o chamou. Em breve o encheria de honras que Carlos aceitou como responsabilidades. Passados dois meses fê-lo cardeal, arcebispo de Milão e secretário de Estado. As Sagradas Ordens recebeu-as depois. Ia fazer 22 anos. Foi um caso de nepotismo acertado.

Entregou-se às suas obrigações com toda a alegria do seu temperamento. Mal lhe restava tempo para comer e dormir. Despachava diariamente com o Papa. Atendia todos os assuntos internos e externos da Igreja.

As suas tarefas aumentaram ao reativar-se, por sua iniciativa, o Concílio de Trento na sua última etapa (1561 -1563). Sem sair de Roma, era a alma da assembleia conciliar. Intervém nas questões mais delicadas, na revisão da Vulgata, do Missal e do Breviário. Preocupou-se também com a composição do Catecismo Romano, obra muito importante.

Aliviava a sua tensão com o amor à arte e à música - era um inspirado violencelista - distraía-se um pouco com o xadrez, a pelota e a caça. Tudo isto, que se considerava normal, em breve deixaria, para se entregar a uma vida mais austera e exemplar. A morte do seu único irmão impressionou-o fortemente. Aumentou o tempo de oração - "as almas ganham-se com os joelhos", repetia - e com os rigores ascéticos. "Conseguia mais com o seu exemplo do que com todos os decretos de Trento", diz um contemporâneo.

A Pio IV sucedeu São Pio V. Carlos deixa Roma para se dedicar mais plenamente à sua diocese de Milão. Agora já pode consagrar-se a encarnar o ideal de bispo. Empreende uma grande ação reformadora. É o Hildebrando do século XVI. Sabe rodear-se de bons colaboradores.

Trabalha em ritmo acelerado. Reúne seis concílios e onze sínodos para aplicar os decretos de Trento. Funda cinco seminários para preparar sacerdotes dignos. Percorre a sua extensa diocese. Multiplica as obras de caridade. Resolve os conflitos com Requeséns, vice-rei de Milão.

Realiza a reforma do povo, do clero, dos monges e das monjas que resistiam em aceitar algumas normas de Trento. Até é ferido por um membro da Ordem dos Humilhados. Mas ele não desarma diante das dificuldades. "Basta proceder retamente em tudo, diz, e depois que cada um faça o que quiser". Promove os Exercícios de Santo Inácio.

A sua atividade aumenta, ao alastrar a peste de 1576. Forma juntas de saúde, cria hospitais e lazaretos, busca médicos e víveres para os empestados, e ele mesmo anda no meio deles, confessando, consolando e distribuindo esmolas. Entrega a sua cama aos enfermos e ele dorme sobre tábuas.

Vivia com grande austeridade, era muito parco na comida e no sono. Desprendeu-se de tudo para aliviar os pobres e dignificar o culto.

A intensa atividade tinha-o deixado exausto. Ao pressentir a morte, quer preparar-se para ela, fazendo os Exercícios de Santo lnácio, que tanto apreciava e tanto o tinham ajudado sempre. Poucos dias depois, a 3 de Novembro de 1584, adormeceu no Senhor. Tinha só 46 anos. Este "obséquio do céu" (Pio IX) foi canonizado por PauloVem 1610.

Oração a São Carlos Borromeu

Ó Deus, que aos vossos pastores associastes São Carlos Borromeu, animado de ardente caridade e da fé que vence o mundo, daí-nos, por sua intercessão, perseverar na caridade e na fé, para participarmos de sua glória.

Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso filho, na unidade do Espírito Santo. Amém.

São Carlos, rogai por nós.