15 Fev 2026
São Claudio de La Colombiére, presbítero (+1683)
Imagem do santo do dia

O "chamamento" à vida religiosa é um mistério. O Senhor serve-se de mil caminhos para conseguir o que quer. O pequeno Cláudio tinha recebido uma educação cristã muito esmerada daquela família a que os Anais da Visitação apelidam de "família de santos", sobretudo da parte da sua boa mãe que, com visão profética, lhe disse no leito de morte: - "Meu filho, tens que ser um santo religioso".

Apesar disso, como ele mesmo depois escreveria nos seus apontamentos espirituais, não era esse o gênero de vida pelo qual Cláudio sentia inclinação, muito pelo contrário. Escreveu ele: "Quando me fiz religioso, tinha uma grande aversão à vida que ia abraçar. Os planos que se traçam para servir ao Senhor nunca se realizam senão à custa de grandes sacrifícios"...

Cláudio foi o terceiro de sete irmãos.

Aos 18 anos, ingressou no noviciado da Companhia de Jesus, na cidade dos Papas, Avinhão. O Mestre de noviços deu ao P. Provincial esta informação acerca do jovem noviço Cláudio: "É um jovem com uma prudência superior àquilo que corresponde à sua idade. De juízo sólido, de rara piedade, as mais elevadas virtudes não lhe parecem excessivas para o seu fervor".

Durante o ano da terceira Provação, fez o voto de observar com exatidão todas as Regras e Constituições da Companhia, e acrescentou: "Faço o firme propósito de cumprir quanto me for possível com toda a fidelidade todos os deveres do meu estado, e ser fiel ao Senhor mesmo nas coisas mais insignificantes; romper de um golpe e para sempre as cadeias do amor próprio, tirando-lhe toda a esperança de ser alguma vez tido em consideração; adquirir em pouco tempo os méritos duma vida longa; reparar as irregularidades passadas; dar a Deus uma prova de gratidão pelas infinitas graças recebidas, e fazer da minha parte tudo o que puder para ser de Deus sem reserva alguma"...

Quando faz esta terceira Provação, Cláudio está na maturidade dos seus 34 anos. Sabe o que faz. Ama ternamente o Coração de Jesus, a quem se consagrou por inteiro, e à Virgem Maria, cujo santo Escapulário do Carmo usa desde criança, e sobre o qual pregará em Avinhão um sermão famoso que vale por muítos tratados sobre este sacramental de Maria, que é o seu Escapulário.

Enquanto a sua alma se transforma, outra alma gêmea, a futura Santa Margarida Maria de Alacoque recebe durante uma visão este aviso que tanta alegria proporciona à sua alma: Não temas, em breve te enviarei o meu amigo e servo fiel para guiar os teus passos e te ajudar na missão de que te vou encarregar.

Feitos os votos solenes a 2 de Fevereiro de 1675, foi enviado como superior da Casa que a Companhia tem em Paray-le-Monial. Aí, no convento da Visitação, estava a religiosa Margarida Maria de Alacoque que já tinha recebido luzes especiais do alto... mas que se sentia receosa se aquilo era ou não de Deus... Logo foi visitar as religiosas o novo superior jesuíta. Ao vê-lo, Margarida ouviu como que uma voz interior que lhe dizia: "Este é o meu amigo fiel que te trago para te ajudar na missão de que te encarrego"... Pouco depois, abria-lhe "totalmente a sua alma, tanto no bem como no mal"... Escreveu ela depois: "O Padre teve que sofrer muito por minha causa. Dizia-se que eu pretendia enganá-lo com as minhas ilusões, mas ele não se preocupava com o que se dizia e não deixou de me ajudar enquanto esteve na cidade e sempre me tem ajudado"...

Foi enviado à Inglaterra e aí continuou dilatando com todas as suas forças a devoção ao Sagrado Coração de Jesus, como o meio mais eficaz de a fé prosperar e se viver com generosidade. Foi caluniado e metido na prisão e até condenado à morte, pena que depois lhe foi comutada. Voltou a Paray-le-Monial e aqui morreu aos 43 anos de idade, em 1683. Foi beatificado por Pio XI em 1929, e canonizado por João Paulo II.