São Domingos da Calçada nasceu em Viloria, Alava, Espanha, numa humilde família. Um dia, enquanto pastoreava as suas ovelhas nas margens do Ebro, ouviu a voz de Deus que o chamava para o seu serviço. Acudiu ao mosteiro de São Milão da Cogola, mas não foi admitido. Também em Santa Maria de Valvanera não foi admitido, pelo que se decidiu pela vida eremítica. E assim passou nos montes que rodeiam São Lourenço, cinco anos, dedicados à oração e à penitência.
Sucedeu então que o Papa Bento IV enviou, como Legado, Gregório de Óstia, a Navarra e La Rioja, para que lhes levasse ajuda e conforto por ocasião de uma praga de gafanhotos que então assolava aquelas regiões. Quatro anos viveu Domingos no séquito de Gregório, com grande proveito espiritual. Quando São Gregório morreu em Logronho, Domingos decide ficar no vale de La Rioja, para socorrer os muitos romeiros necessitados que passavam por ali.
Na Idade Média alcançou grande incremento juntamente com Roma e Jerusalém a peregrinação a Santiago de Compostela. De noite, orientavam-se os peregrinos pela Via Láctea, chamada por isso Caminho de Santiago. De dia... Desde Roscenvales até Nájera estava bem marcada a rota do caminho francês. Depois, o caminho desaparecia. Veredas inóspitas, infestadas de animais selvagens e de salteadores, os montes de Granhão e Ciruenha, as florestas de Carrasquilha, o vale de Oja, a Bureba burgalesa... Um verdadeiro risco contínuo. Lá dizia já o velho cantar: «Vós que ides para Santiago, tomai cuidado, que não há pontes nem pousadas nem nada para comer». Realmente era uma aventura.
O nosso santo tinha encontrado a sua vocação: ser o bom samaritano, o anjo protetor dos romeiros para Santiago, melhorar os caminhos, preparar albergues, apenas movido pelo desejo de ajudar os peregrinos.
A São Domingos se atribuem muitos milagres. Mas ele não se poupou a esforços para facilitar a passagem aos romeiros. O Santo Padroeiro da engenharia espanhola construiu primeiro uma ermida dedicada a Santa Maria, a partir da qual explorava o horizonte para depois ir em ajuda de qualquer pessoa em apuros. Edificou um albergue, desempenhando para tal a função de pedreiro, enfermeiro e hospedeiro. A seguir procurou recursos e levantou a famosa ponte sobre o Oja, que ainda subsiste, passados dez séculos.
Mais tarde devasta montes e constrói uma caIçada que chegará a ser o seu glorioso apelido. Juntam-se-lhe muitos para colaborar com ele, e começa a nascer uma cidade, São Domingos da Calçada, «cidade nobre e fidalga com a caridáde de Cristo que inflamou o seu Fundador, em cujastuas aparece ainda o sorriso amável que há mil anos acolhia os peregrinos.
São João de Ortega e São Domingos de Silos, que o conheceram, testemunham as múltiplas obras de caridade levadas a cabo, durante mais de sessenta anos, por este benfeitor insigne da humanidade.
Para albergar o sepulcro que conserva os seus veneráveis res¬tos, construiu-se depois uma linda catedral, de arte gótica primitiva.
Segundo uma bela lenda, Domingos não se limitou a proteger os peregrinos durante a vida. Tinha chegado a visitar o seu sepulcro um vaidoso mancebo, Hugonel . A rapariga da estalagem provocou-o. Agastada pela recusa, a jovem vingou-se introduzindo uma taça de ouro na saca de Hugonel. O suposto ladrão foi condenado à forca. Disseram ao alcaide que o mancebo se mantinha vivo na forca, ao que replicou: «Isso será tão verdade como cantar esta galinha assada que eu estou a comer». E o galináceo saltou do prato e pôs-se a cantar com todas as forças. Assim, mesmo depois de morto, São Domingos continuava a proteger os seus romeiros.
