04 Jan 2026
Beata Ângela de Foligno
Imagem do santo do dia

(Terceira Franciscana + 1309)

A cidade de Foligno sofria uma situação de transição e desordem. A Idade Média apagava-se e apareciam os primeiros vislumbres do Renascimento. Esta situação influirá muito na vida de Ângela. Mas a radical transformação de Ângela influirá ainda mais na sua cidade, a ponto de ser Ângela a que tornará famosa a cidade de Foligno.

Ângela nasceu em Foligno em 1249, e ali morreu 60 anos mais tarde. Na sua cidade natal conservam-se os seus restos veneráveis. De elevada posição, a sua família possuía muitas riquezas. Casou-se muito cedo e teve vários filhos. Na sua juventude, e depois como esposa e mãe, levou urna vida dissoluta, cheia de graves desvarios, como confessará amargamente. Foi caprichosa e leviana, o escândalo de Foligno.

Aos 35 anos adveio-lhe a prova. Em pouco tempo perdeu os pais, o esposo e os filhos. Sente um forte chamamento de Deus para a conversão, encomenda-se a São Francisco, cujo aroma ainda se desprendia fresco desde a vizinha cidade de Assis. Converte-se ao escutar as inflamadas palavras do religioso franciscano Frei Arnaldo, desde agora seu diretor e confidente espiritual. Ele recolhe como escritor da Auto-biografia da Beata - verdadeiro tesouro da teologia espiritual as inefáveis experiências místicas desta alma que, pelo crescente número das suas visões, alguns comparam a Santa Teresa de Jesus. É chamada rainha da teologia e mestra de teólogos. O seu trato íntimo com a divindade e a humanidade de Cristo, aos seus extâses com calafrios, os segredos celestiais que neles se lhe confiavam são mais para ser admirados que para ser descritos com palavras humanas.

Na sua espiritualidade tudo gira em torno da cruz. Cristo desde a cruz é o Livro da Vida, como ela lhe chama. Não podia contemplar representações da Paixão do Senhor sem estremecer e adoecer. Ali chorava inconsolável os seus pecados e se flagelava até ao exagero, pelo que o seu diretor teve de a reprimir. Nesse momento decidiu despojar-se de tudo por Cristo. "Como vês, Ângela, não te amei a brincar", dizia-lhe uma vez o Senhor. E assim, "onde abundou a culpa, superabundou a graça".

Foram longos anos de ferozes combates com o demônio, de terríveis tentações de concupiscência. Foi um drama sublime de penitências e dores, enxugadas com doçuras místicas. Deste modo, acede à cruz que abraça vigorosamente. Ângela converte-se em chama viva. A sua união com Jesus é inefável: "Tu és Eu e Eu sou tu", diz-lhe o Amado de sua alma. E Ângela responde com as mes¬mas palavras de enamorada.

Foi igualmente a grande confidente do Coração de Jesus. "Um dia fui penetrada por um amor tão ardente ao Coração de Jesus que o sentia em todos os meus membros. Via que o Salvador abraçava a minha alma com os seus braços desprendidos da cruz. Parecia-me que a minha alma entrava também no Divino Coração. Outras vezes convidava-me a que aproximasse os meus lábios do seu lado e bebesse do sangue que dele manava".

Na devoção à Eucaristia foi uma autêntica percursora. O Senhor alegrou-a com muitas visões quando adorava a Sagrada Hóstia. Ângela escreveu recomendações sobre a maneira de comungar mais proveitosamente.

Recebeu na sua vida muitos presentes do Senhor. Ela preparava-se com a mais dócil disponibilidade. "Que ninguém se escuse, adverte a Beata, dizendo que não consegue descobrir a divina graça, pois Deus concede-a a todos os que a desejam.

O papa Clemente XI aprovou o culto da Beata a 30 de Abril de 1707.

Oxalá que este doce Nome sele os nossos lábios na hora da morte!