No domingo, 15 de fevereiro, o Ginásio de Esportes de Itapecerica da Serra se transformou em um verdadeiro ponto de encontro para quem decidiu viver um carnaval diferente. Das 8h às 17h30, o Louvor Encontro com Cristo reuniu pessoas sob o tema “Eu adoro, Jesus cura”, conduzido por Rone Vaz. A programação contou com a presença marcante da irmã Zélia, de Rafael Lima, da cantora Marília Mello e dos padres Alberto Gambarini, Rodolfo Camarotta, Alexandre Matias e Lucas Barboza. O tema “Eu adoro, Jesus cura” tocou em uma verdade simples e, ao mesmo tempo, exigente. Adorar é reconhecer que Deus é maior do que as próprias dores, medos e vontades.
Marília Mello deu início ao louvor conduzindo o público com canções, que rapidamente foi assumida em coro por todo o ginásio. Enquanto a música “Quem impedirá?” ecoava, o Santíssimo Sacramento passava entre os fiéis, tornando um dos momentos mais intensos do dia. Entre versos e oração, a cantora declarou: “O mesmo Deus que curou e libertou já está agindo em você”, afirmando que não há mal maior que o poder do Senhor. Ela também reforçou que medo, depressão e ansiedade não têm a palavra final, porque “onde Jesus entra, as trevas se rendem”.
Durante o momento de adoração com o Santíssimo exposto, o padre Alberto afirmou, “aqui está Jesus por inteiro, de um modo ainda maior do que quando Ele passou por esta terra. Você está tendo um privilégio imenso, porque Ele atravessa as paredes do seu problema, percorre as células do seu corpo e entra nos seus pensamentos para libertar do pecado, do vício e devolver a paz”. Em seguida, questionou os fiéis sobre a pressa com que muitos deixam a igreja e citou São João Paulo II ao recordar que “a Igreja e o mundo têm grande necessidade de adoração eucarística”. O sacerdote também provocou, “você tem ido ao encontro de Jesus ou O deixa esperando no sacrário?”, reforçando que muitas graças são perdidas quando não se encontra tempo para permanecer diante do Santíssimo. Com poucos minutos de visita silenciosa, Cristo pode reacender a fé, devolver ânimo e restaurar o coração.
A irmã Zélia aprofundou o tema ao afirmar que a adoração é resposta urgente para o tempo atual. “Sem um caminho de adoração e de comunhão eucarística, a gente não vai dar conta de atravessar o deserto que estamos vivendo”, declarou, referindo-se às divisões e às dores sociais que marcam o cenário contemporâneo. Para ela, é na presença de Jesus que nasce a verdadeira unidade, “quando eu vou para a missa, eu levo o mundo inteiro comigo e coloco na presença de Jesus. Ele une, cura, liberta e transforma aquilo que está errado em bem. A Eucaristia é o único caminho que une céu, terra e purgatório. Se nos tornamos adoradores, estamos unindo a Igreja e trazendo os desunidos para perto de Jesus”, afirmou. Ela explicou que essa cura não é apenas individual, mas também coletiva, porque a Eucaristia “tem força de comunhão” e faz cair por terra aquilo que gera separação.
O momento dedicado a Maria foi conduzido pelo padre Rodolfo Camarotta como um chamado à confiança e à entrega. Diante da imagem de Nossa Senhora dos Prazeres, ele convidou os fiéis a consagrarem a própria vida, as dores e as intenções mais íntimas. “Maria é a porta do céu, porque nos leva a Jesus. Deus espera o nosso sim, espera que deixemos que a Palavra se cumpra em nós”, afirmou, destacando que o Senhor não impõe a sua vontade, mas aguarda a livre decisão de cada coração. Em oração, pediu que cada um entregasse a saúde física e emocional, as lutas familiares e os impossíveis do coração. “Se há dor, enfermidade, ansiedade ou medo, peça: Mãe, passa à frente”, repetiu. O sacerdote também motivou os presentes a confiarem no tempo de Deus e a proclamarem, com fé, que nenhuma batalha é maior do que a intercessão daquela que conduz os filhos ao encontro com Cristo.
Vieram pessoas de diversos lugares, como Caçapava, Diadema, Embu das Artes, Guarujá, Jandira, Osasco, São Paulo, Serrana e Sorocaba, movidas pelo desejo de viver o Louvor como experiência de fé e renovação. Entre elas, Regina Maria, de Embu das Artes, que participa todos os anos e resume a vivência como reencontro com o essencial, “estar aqui é uma graça. Esse momento renova a minha fé e me ajuda a recolocar Jesus no centro da minha vida”. Maria dos Santos, de Osasco, descreve a presença no encontro como resposta a um impulso interior que não se explica, mas se sente. “Foi o Espírito Santo que me moveu. Cada vez que eu venho, sinto que Deus trabalha em áreas da minha vida que só Ele conhece. Eu saio diferente, mais fortalecida, com o coração em paz e a fé renovada para continuar”. Já Maria Dalva Moreira, de Itapecerica da Serra, falou sobre confiança no tempo de Deus, “a gente quer tudo na nossa hora, mas Jesus sabe o momento certo. Louvar na dor é o que nos sustenta. Aqui eu encontro força e serenidade para esperar”.
Após o almoço, o encontro ganhou clima de verdadeira festa com o show conduzido por Marília. Em ritmo de “bloquinho de Jesus”, ela desceu para o meio do público ao lado do padre Rodolfo e puxou o coro com “O nome de Jesus é doce” e “Nosso general é Cristo”. O ginásio se transformou em um grande coro de vozes, com gente cantando, dançando e pulando, em uma celebração vibrante e cheia de energia. A alegria tomou conta do espaço e mostrou que a fé também se expressa com entusiasmo.
Rafael Lima falou sobre o verdadeiro caminho da fé, lembrando que ela não se sustenta apenas nos dias bons. Segundo ele, viver pela fé é permanecer firme mesmo em meio ao deserto, às notícias difíceis e às crises inesperadas. Ele testemunhou a própria experiência que teve no Louvor Encontro com Cristo, quando enfrentava o câncer do pai. Os médicos diziam que não havia mais esperança, mas decidiu acreditar na promessa de Deus. Ele relembrou que na hora da Eucaristia, fez sua súplica, “Jesus, se o Senhor tem o poder, cura o meu pai”. Quatro anos depois, recordou a cena que o marcou, “deram um mês de vida ao meu pai. Depois de quatro anos, ele olhou para o médico e disse: ‘Não foi esse que me deu um mês?’ Ninguém pode decretar aquilo que o Senhor não autorizou. Se decretaram algo sobre a sua vida, Deus tem poder para revogar qualquer sentença”.
Entre os muitos que tornaram o encontro possível, os voluntários foram parte essencial da realização do evento. Maria Aparecida Matheus contou que decidiu servir após sentir um chamado muito claro no coração. “Foi o chamado de Jesus”, resumiu. Para ela, participar é mais do que ajudar na organização, é viver o amor de forma concreta. “Tudo que a gente faz com amor, faz bem feito”, afirmou, destacando que servir é reconhecer a presença de Cristo em cada pessoa. Já Angélica Aparecida de Souza define a experiência como caminho de transformação. Segundo ela, enquanto trabalha, percebe o agir de Deus em cada detalhe e entende que o serviço não é apenas apoio prático, mas espaço onde a fé se fortalece e vidas são tocadas.
A Santa Missa, que marcou o encerramento do encontro, foi presidida pelo padre Alberto Gambarini, e concelebrada pelos padres Rodolfo Camarotta, Alexandre Matias e Lucas Barboza, com transmissão ao vivo pela Rede Vida. Na homilia, o padre Alberto fez um chamado profundo à conversão interior e à coerência cristã. “Deus não se deixa enganar por aparências. Ele conhece o seu coração. Não adianta levantar as mãos e cantar se a vida continua longe da vontade d’Ele. Ou você decide viver o Evangelho por inteiro, ou continuará preso à própria vontade”, afirmou, destacando que a verdadeira fé se revela nas atitudes e na fidelidade diária.
O encontro marcou um dia intenso de fé, alegria e celebração, onde os fiéis vivenciaram momentos de louvor, oração e renovação espiritual. Saíram fortalecidos, inspirados e com o coração cheio de esperança. O evento contou com o apoio da Prefeitura Municipal de Itapecerica da Serra.






