Celebrado em 19 de março, São José ocupa um lugar especial na tradição cristã como o “pai adotivo de Jesus” e modelo de virtudes como obediência, silêncio e fidelidade. Mesmo sem nenhuma fala registrada nos Evangelhos, sua presença é marcada pela prontidão em cumprir a vontade de Deus e pelo cuidado com a Sagrada Família.
A proclamação de São José como Patrono da Igreja remonta a um período delicado da história eclesial. Conforme explica o pároco da Catedral de São Francisco Xavier da Diocese de Itaguaí (RJ), padre Wagner Souza, a decisão aconteceu em 1870 e partiu do Papa Pio IX. Segundo ele, o gesto expressa a confiança no papel espiritual de José como guardião e intercessor do povo de Deus.
Outro título forte atribuído ao santo é o de Guardião da Sagrada Família, diretamente ligado à sua missão. Padre João Cândido, da Diocese de São João da Boa Vista (SP), recorda que São José foi escolhido para cuidar dos maiores tesouros de Deus: a Virgem Maria e o Menino Jesus.
“É chamado, com toda razão, como o Guardião da Sagrada Família. A sua missão, portanto, se estende a toda a Igreja, a família de Deus. São José é o protetor da Igreja inteira, porque a Igreja é o prolongamento do Corpo de Cristo na história. A Virgem Maria é a Mãe da Igreja, e José, junto com a sua esposa, continua sua missão de guardar, proteger, cuidar do Povo de Deus”, explica.
Devoção que conduz à unidade
A devoção a São José, segundo os sacerdotes, é um caminho de crescimento espiritual. Padre Wagner destaca que, na presença de Deus, o santo continua a cuidar do essencial para o povo: segurança e paz. Já padre João ressalta que essa devoção conduz ao amor à Igreja e à confiança na Providência Divina.
“A devoção a São José nos ensina a viver na obediência e na comunhão da Igreja, corpo de Cristo. Ele nos mostra que Jesus e a Igreja são inseparáveis. E, assim como José cuidou do Menino Jesus e de sua Mãe, ele nos ensina que devemos amar Jesus e a Igreja como um único Corpo. Buscar sempre a unidade da Igreja é o mais belo sinal de uma verdadeira devoção ao Patrono da Igreja”, prossegue.
A devoção a São José está presente em diversas comunidades e expressões de espiritualidade. Padre João recorda, ainda, a simplicidade da oração dirigida ao santo: “Como dizia o Papa Francisco: ‘Todos podem encontrar em São José um intercessor, um amparo e um guia nos momentos de dificuldade’. Creio que todos nós podemos rezar muitas vezes esta simples invocação: ‘Valei-me, São José!’ Uma oração tão pequena, tão simples, mas cheia de afeto e confiança para este santo tão querido”.
Recorrer à intercessão de São José é uma prática recomendada aos fiéis, especialmente diante das dificuldades atuais. Padre Wagner incentiva a oração pela evangelização e pelo Papa. “Vivemos momentos difíceis, circunstâncias complicadas, onde muitas vezes estamos sujeitos à perseguição, incompreensão e muitos outros tipos de sofrimento… Imaginemos o Papa, quanto não deve sofrer. Na terra, São José protegeu, ensinou e ajudou Jesus que é o fundador da Igreja; no céu pode assistir, amparar e cuidar muito melhor ainda, daquele que agora a dirige”.
Espiritualidade do silêncio e da obediência
Entre os principais ensinamentos de São José, destacam-se o silêncio e a obediência. Padre João Cândido recomenda a leitura da Carta Apostólica Patris Corde, do Papa Francisco, publicada em 2020.
“É uma Carta pequena, mas densa de espiritualidade e rica de ensinamentos. O Papa Francisco diz que São José amou Jesus com um coração de pai, e destaca vários aspectos desta paternidade de José. Creio que o silêncio e a obediência de São José são duas grandes virtudes que devemos cultivar sempre em nossa vida cristã. Nos Evangelhos nós vemos que José, no silêncio, escuta e obedece à Palavra, à vontade de Deus. Com este silêncio orante de São José, podemos crescer na comunhão e na missão da Igreja neste mundo”, exorta.
Fonte: Canção Nova







