O diálogo inter-religioso foi a pauta que abriu a agenda do Papa Leão XIV nesta segunda-feira, 28, seu último dia de viagem à França. O Pontífice partiu de Lourdes para a cidade fronteiriça de Metz, onde participou de um encontro com a presença de representantes de diferentes tradições religiosas no Centro de Congressos Robert Schuman.
No início de seu discurso, Leão XIV citou a figura de Robert Schuman, um dos pais fundadores da União Europeia. Segundo o Papa, uma pessoa de fé e convicções que sobre transformar antigas linhas de divisão em pontes de esperança para toda a Europa. “Um verdadeiro embaixador da unidade na diversidade.”, definiu. “Seguindo o seu exemplo, a nossa responsabilidade comum de mulheres e homens religiosos é a de testemunhar que, para além das fronteiras, é sempre possível encontrar-nos, estabelecer amizades e construir a paz.”
Desarmar corações e palavras
Leão XIV destacou que o diálogo não diminui a identidade individual, pelo contrário: expressa-a com simplicidade e verdade. Nesse ponto, ele citou o seu predecessor, o Papa Francisco, que falava do diálogo inter-religioso como promoção da amizade, da paz e da harmonia. Também citou São João Paulo II, que considerava o diálogo uma exigência da própria natureza humana.
“Com efeito, invocar o nome de Deus para legitimar a violência ou a opressão configura uma profanação desse nome. Nada do que desfigura a dignidade humana pode reivindicar uma autêntica inspiração divina. O discurso religioso deve exortar constantemente ao desarmamento dos corações e das palavras. Isto implica a responsabilidade direta de cada um de nós, enquanto guardiães das nossas respectivas tradições.”
Religiões: guardiãs da vida
Outra dimensão da fecundidade das tradições religiosas destacada pelo Papa foi sua capacidade de proteger, acompanhar e servir a vida. É, inclusive, nisto que se mede a grandeza de uma civilização.
“As religiões são guardiãs da vida; elas afirmam o seu valor sagrado. A sua fecundidade é demonstrada pela presença amorosa junto das pessoas mais frágeis e vulneráveis. Servir a vida é rodeá-la de cuidados, presença e ternura, sobretudo nas provações, até ao fim. Nós, que estamos abertos à transcendência, temos como missão oferecer pontos de referência sólidos, em particular aos jovens, para construir uma comunhão que respeite e valorize a dignidade de toda a pessoa humana.”
Concluindo seu discurso, o Papa lembrou que a Igreja considera todos os que procuram a verdade, a bondade e a beleza como companheiros de caminho. “Que a bondade infinita de Deus e a sua sabedoria nos acompanhem e ensinem a viver cada vez mais como seus filhos e como irmãos e irmãs entre nós. E que assim possamos ser, onde quer que vivamos, artesãos de paz e testemunhas de uma esperança que não cessa de crescer no nosso mundo.”
Últimos compromissos do Papa
Após o encontro inter-religioso, Leão XIV participou do encontro “Nas raízes da Europa pela paz e pela unidade”, no mesmo Centro de Congressos Robert Schuman.
Logo mais, às 11h pelo horário de Brasília (16h na França), o Pontífice presidirá a Santa Missa na Catedral de Santo Estêvão. Após, partirá para o aeroporto onde haverá uma cerimônia de despedida da França. A chegada de Leão XIV a Roma está prevista para as 15h50 (horário de Brasília, 20h50 pela hora local).
Fonte: Canção Nova






