“Cada um reze e construa a paz no âmbito da própria família, da escola, do bairro, da paróquia, das diversas seções de cada grupamento e do inteiro Corpo Nacional de Escutas”, disse o papa Leão XIV em mensagem enviada à peregrinação do Corpo Nacional de Escutas (CNE) ao santuário de Fátima, em Portugal.
A peregrinação aconteceu no fim de semana, 26 e 27 de outubro, sob o tema “Sentes-te ca’Paz?”, e reuniu cerca de 70 mil peregrinos. A mensagem do papa foi lida no início da missa celebrada ontem no recinto de oração pelo núncio apostólica em Portugal, dom Andrés Carrascosa Coso.
Leão XIV saudou os “escuteiros de Portugal” e disse desejar que “todos os participantes” da peregrinação, “avançando por trilhos de diálogo, companheirismo e partilha fraterna, se configurem a Jesus Cristo, nossa paz”.
“Para o escuta católica, o modo de deixar o mundo melhor passa pela unidade da fé e do conhecimento do Filho de Deus, esforçando-se por alcançar a estatura de Cristo”, disse o papa.
Leão XIV invocou a intercessão de Nossa Senhora de Fátima “para que a peregrinação de 2026 dê muitos frutos”, e concedeu a bênção apostólica.
Acreditar, servir, caminhar
Em sua homilia na missa de ontem diante dos milhares de escuteiros, em Fátima, o núncio apostólico em Portugal, dom Andrés Carrascosa, incentivou os participantes a levarem três palavras quando retornarem para casa depois da peregrinação: “acreditar, servir, caminhar”. “Acreditar em Jesus, servir aos irmãos, caminhar juntos”, disse.
“A peregrinação não termina quando chegamos ao destino”, disse o núncio. “Chegar a Fátima é importante. Estar aqui diante de Nossa Senhora é uma graça. Mas, a pergunta verdadeira é como vou regressar à casa”, acrescentou.
O núncio ressaltou que “não basta cantar, rezar, vestir o uniforme, participar nas atividades, fazer uma promessa, levar o lenço ao pescoço, ou vir em peregrinação a Fátima”. Embora, tudo isso seja “bonito” e “importante”, a pergunta que Jesus faz é: “E depois? O que fazes com aquilo que dizes acreditar?”.
“Porque a fé não se mede apenas pelas palavras. A fé torna-se verdadeira quando passa para a vida”, disse.
O núncio se referiu à promessa dos escuteiros: “Prometo, pela minha honra e com a graça de Deus, fazer tudo o possível para cumprir os meus deveres para com Deus, a Igreja e a Pátria, auxiliar o meu semelhante em todas as circunstâncias, obedecer à lei do escuta”.
“São palavras grandes”, disse e ressaltou que “uma promessa não é simplesmente uma frase que se pronuncia num determinado dia”, mas é “uma palavra que se transforma numa vida”.
Segundo dom Andrés Carrascosa, os escuteiros devem se perguntar se sua vida “corresponde” ao que prometeram e se, quando falham, têm “coragem de voltar a começar”.
Ao refletir sobre a lei e princípios dos escuteiros, dom Carrascosa destacou que não basta dizer que tem fé, mas é preciso deixá-la orientar toda a vida. “Ser cristão não é uma atividade entre muitas outras, é uma maneira nova de viver todas as coisas”, disse.
O núncio falou também sobre a importância de aprender a servir no cotidiano, começando na família, e a fazê-lo “sem esperar aplausos”. Além disso, destacou que o escutismo ensina a caminha em equipe, mostrando que “cada um tem o seu lugar”.
“O escutismo católico não é simplesmente uma escola de bons valores”, disse. “É um caminho de formação humana e cristã vivido à luz de Jesus Cristo e do Evangelho. É Jesus quem dá sentido a tudo. É Jesus quem nos ensina a servir, a amar, a perdoar, a levantar-nos depois de cair”, acrescentou. Ressaltou ainda que “configurar nossa vida com Cristo” não é “simplesmente admirar Jesus” ou “saber coisas” sobre Ele, mas “deixar que Jesus transforme o nosso coração”.
Fonte: ACI Digital






