Passados dez anos da publicação da exortação apostólica Amoris Laetitia, o Papa Leão XIV traz a temática das famílias de volta ao centro de reflexão da Igreja. Nesta quarta-feira, 7, ele discursou na abertura do encontro que ele mesmo convocou com os chefes das Igrejas orientais e os presidentes das Conferências Episcopais do mundo todo.
“Dez anos depois da Amoris laetitia: anunciar o Evangelho com as famílias hoje” é o tema do encontro que segue até o próximo dia 14. Participam os chefes das Igrejas orientais, bispos e casais, além de especialistas e facilitadores. O Brasil tem quatro representantes no encontro.
Já na abertura do seu discurso, Leão XIV recordou o percurso sinodal e missionário que a Igreja tem percorrido no que diz respeito ao matrimônio e a família. “A família sempre ocupou um lugar importante”, disse, citando dois documentos a respeito: a Exortação Apostólica Familiaris Consortio, de São João Paulo II, e a própria Amoris Laetitia, do Papa Francisco.
Já no Concílio Vaticano II, disse o Papa, os padres conciliares reconheceram a vida familiar como um ponto de entrada privilegiado para questões culturais, econômicas, sociais e políticas do nosso tempo. Nos últimos dez anos, esse documento mais recente da Igreja (Amoris laetitia) tem sido acolhido em diferentes culturas e contextos pastorais, acompanhando a vida concreta das famílias.
“Com efeito, Amoris Laetitia convida-nos a levar a sério esta vocação e responsabilidade. As próprias famílias participam na missão da Igreja no cotidiano das suas vidas (…) as famílias dão testemunho do Evangelho e contribuem para a vida e a missão da Igreja.”, frisou.
Desafios que merecem atenção
Se por um lado os pastores têm a responsabilidade de proclamar a beleza do plano de Deus para a família, por outro esse ministério coloca-os em posição de escuta. Há muito a aprender com as famílias, disse o Papa, ressaltando algumas realidades que merecem atenção.
Os jovens, por exemplo, continuam a desejar amor, fidelidade e pertença, mas muitos têm dificuldade de entender com isso pode se concretizar em suas próprias vidas. “A insegurança econômica, a migração, a violência, a solidão e outras formas de fragilidade emocional também moldam as escolhas que as pessoas fazem e as possibilidades que conseguem imaginar para o seu futuro.”
Nesse contexto, a fragilidade merece uma atenção especial, considerou Leão XIV. Trata-se de algo que pode moldar a forma como as pessoas se veem a si próprias, o seu futuro e até a sua relação com Deus e com a Igreja.
“Que tipo de Igreja é que as pessoas encontram precisamente quando estão mais frágeis? As nossas comunidades ajudam-nas a descobrir que ainda têm um lugar, uma responsabilidade e dons para oferecer? A verdade que proclamamos pode ser encontrada através da paciência, da proximidade e da misericórdia da nossa presença pastoral? Como podemos anunciar-lhes a plenitude do ensinamento do Evangelho sobre a família?”, questionou.
O objetivo deste encontro
O Papa convidou os presentes a darem o devido peso a todas essas questões durante esses dias de encontro. Não se trata apenas de interpretar estas realidades, mas deixar que elas interroguem e motivem a responsabilidade pastoral, “para que a Igreja possa encontrar formas renovadas de proclamar o Evangelho”.
“Espero que, através das muitas histórias que trazeis das vossas Igrejas e de diferentes contextos culturais, vá tomando forma gradualmente uma narrativa partilhada destes dez anos, marcada pela alegria e pela esperança, que nos permita enfrentar com honestidade as provações e dificuldades que ainda subsistem.” , concluiu.
Fonte: Canção Nova






