O Papa Leão XIV conduziu a Audiência Geral desta quarta-feira, 4, a partir da constituição pastoral Gaudium et spes, no ciclo de reflexões sobre o Concílio Vaticano II. O centro da catequese foi a vida econômica, social e política à luz deste documento conciliar.
Logo no início de sua reflexão, Leão XIV recordou que a dimensão social é parte integrante não só da natureza humana, mas também da fé cristã que, inclusive, oferece critérios de discernimento. Os padres conciliares evidenciaram o perigo que os desequilíbrios ligados a um desenvolvimento econômico desigual e desrespeitoso com a criação trazem para a paz mundial. Para corrigir isso, lembrou o Papa, é preciso uma mudança de mentalidade da parte de todos.
Nesse sentido, a Gaudium et spes apresenta a visão cristã do desenvolvimento econômico, que deve estar sempre a serviço do homem. Aparece já ali o conceito de desenvolvimento integral que São Paulo VI apresentou na encíclica Populorum progressio.
O dom do trabalho para o homem
O coração da economia é o trabalho, pontuou o Papa. É através dele que o homem se desenvolve como pessoa e pode participar da vida social contribuindo com a obra criadora de Deus. Assim, são inaceitáveis o desemprego, a exploração e condições de trabalho que coloquem em risco a saúde ou até a vida da pessoa, frisou o Pontífice.
Neste contexto, o Papa explicou que o Concílio evoca um dos principais fundamentos do magistério social que é a destinação universal dos bens. Trata-se de um princípio segundo o qual as decisões econômicas devem garantir condições de vida digna para todos, promovendo o equilíbrio entre as necessidades atuais de consumo e as exigências para as gerações futuras.
A responsabilidade da política
A constituição pastoral também aborda a comunidade política, comentou o Papa. Essa existe em função do bem comum, observou, e as autoridades políticas devem sempre visar ao bem comum, tendo no coração o bem de toda a família humana.
O Papa concluiu sua reflexão afirmando que o compromisso com economia e com a política, segundo estes critérios, é um modo de construir a paz. Recordando seu predecessor, o Papa Francisco, disse que a guerra é sempre um fracasso da política e da humanidade. Ao contrário, uma política que se preocupa com as feridas dos povos e com aqueles que sofrem injustiças traz esperança no futuro da humanidade.
“Por isso, encorajo os jovens a seguir o exemplo daqueles homens e mulheres que, nestes âmbitos, deram bom testemunho. E renovo a minha exortação às comunidades cristãs a fim de que seja fortalecida a formação sobre doutrina social da Igreja”, concluiu.
Fonte: Canção Nova






