A Diocese de Guarapuava (PR) prepara um relatório sobre a vida de Dolores de Jesus Camargo (1932-1959), natural de Pinhão (PR), para enviar à Santa Sé e pedir a abertura da causa de beatificação. Se o pedido for aceito, ela passa a ser Serva de Deus, primeira etapa oficial do processo.
Segundo o relatório, Dolores de Jesus Camargo nasceu em 25 de março de 1932 em Pinhão (PR), em uma família católica. Desde pequena ela manifestava desejo de ser consagrada e o zelo pelas coisas de Deus. Era devota de Nossa Senhora das Dores, são Miguel Arcanjo, santo Antônio e santa Filomena, rezava o terço com fervor e cultivava uma vida interior intensa.
Aos dez anos, foi para Guarapuava estudar no Colégio Nossa Senhora de Belém, para seguir a vocação religiosa, porém, uma doença grave mudou o rumo de sua vida.
Segundo o relatório, depois de um episódio súbito de paralisia, Dolores passou a viver acamada e nunca mais voltou a se sentar. Os anos seguintes foram marcados por intensos sofrimentos físicos, limitações progressivas, perda da visão e dependência constante dos cuidados da família.
Mesmo nesta condição, segundo os relatos recolhidos no estudo, nunca deixou de viver a fé com serenidade e paciência. Oferecia o sofrimento a Deus pela conversão dos pecadores. Rezava, ensinava orações às crianças e incentivava a prática cristã.
Ainda segundo o relatório, embora não houvesse uma devoção organizada em torno dela ainda em vida, familiares e pessoas que conviveram com Dolores relatavam perceber algo de especial em sua conduta. Depois de sua morte, em 8 de agosto de 1959, sua memória permaneceu viva entre familiares e moradores da comunidade.
Processo
O relatório sobre Dolores de Jesus Camargo foi feito pelo padre André Ricardo Santos Lima, pároco da Paróquia Nossa Senhora Imaculada Conceição, em Palmital, a pedido do bispo de Guarapuava, dom Amilton Manoel da Silva.
Ao longo de cinco anos, o padre André fez entrevistas, revisou documentos, visitou familiares e consultou pessoas experientes no tema, incluindo padres e canonistas.
O relatório já foi apresentado a dom Amilton e aos bispos do Paraná. O próximo passo será enviá-lo ao Dicastério para as Causas dos Santos, da Santa Sé, órgão responsável por analisar os processos de beatificação e canonização.
Caso o dicastério conceda o nihil obstat, expressão em latim que significa “nada impede”, a causa de Dolores será oficialmente aberta.
“Como ainda não é uma causa, chamamos de caso: caso da história, das virtudes ou da fama de santidade de uma determinada pessoa”, disse o padre André, segundo o site da diocese.
“Foi uma existência breve, mas consistente de valores e virtudes, particularmente na vivência cristã”, disse dom Amilton. “Um exemplo para todos nós”.
Fonte: ACI Digital





