Na próxima semana, o Papa Leão XIV fará a terceira viagem apostólica de seu pontificado, que será a primeira ao continente africano. Entre os dias 13 e 23 de abril, ele irá percorrer quatro países da África: Argélia, Camarões, Angola e Guiné Equatorial.
O primeiro destino será a Argélia, país predominantemente muçulmano, mas que tem uma histórica ligação com Santo Agostinho. “Ele nasceu, viveu e morreu em territórios que hoje fazem parte desse país”, conta o frade agostiniano, Frei Danilo Gomes, OSA, Vigário Paroquial da Paróquia Nossa Senhora das Graças, no Rio de Janeiro (RJ).
“Santo Agostinho nasceu em 354 d.C. na cidade de Tagaste, que hoje corresponde a Souk Ahras, na Argélia. Ele cresceu na região da Numídia, uma província do Império Romano localizada no norte da África. A Argélia moderna ocupa o território onde Santo Agostinho nasceu, viveu e exerceu sua influência”, explica o frade agostiniano.
Nos passos de Santo Agostinho
Durante dois dias no país, o Papa terá uma programação intensa, mas o ponto alto será a visita à cidade de Annaba, onde está localizado o sítio arqueológico de Hipona, local onde Santo Agostinho foi bispo entre os anos 396 a 430 d.C.
Frei Danilo afirma que, ao visitar esses locais, Leão XIV, que também é agostiniano, faz “um retorno às origens desse Carisma”, pois esse território é considerado uma fonte de inspiração para a vida religiosa agostiniana. Além disso, é uma visita significativa para toda os religiosos da congregação de forma geral.
“Com essa visita, o Papa nos incentiva a continuar os passos de Nosso Pai Santo Agostinho. Essa visita é para cada um de nós uma forma de nos renovarmos interiormente e em nossa consagração a fim de que possamos continuar nossa caminhada de fé e consagração na vida da Santa Mãe Igreja”, destaca.
Ele explica que, onde estiver um frade agostiniano, todos os agostinianos estarão com ele. “Um dos pilares do Carisma Agostiniano é a vida em comunidade, onde cada um partilha os seus dons e busca viver a fraternidade e, assim sendo, o Santo Padre visitando o continente africano leva também um pouco de cada confrade, assim nos sentimos representados pelo Sumo Pontífice que é nosso irmão de regra e de carisma”.
Diálogo inter-religioso
Esta visita à Argélia tem como foco principal fortalecer o diálogo entre cristãos e muçulmanos no país natal de Agostinho. Frei Danilo afirma que os ensinamentos do santo também podem auxiliar no diálogo inter-religioso, pois ele passou por diferentes correntes de pensamento antes de se tornar cristão.
“Essa trajetória mostra abertura intelectual e respeito pelo processo de quem pensa diferente, algo essencial no diálogo entre religiões. Ele (Agostinho) defendia que fé e razão caminham juntas. Isso ajuda no diálogo inter-religioso porque permite conversas mais profundas, baseadas não só em crenças, mas também em argumentos racionais e éticos compartilháveis”, explica o frade.
O religioso recorda que uma das ideias mais fortes de Agostinho é que o amor (caridade) deve orientar as relações humanas. “No diálogo inter-religioso, isso significa escutar com respeito, evitar hostilidade e buscar pontos em comum. Agostinho reconhecia que Deus é maior do que a compreensão humana. Essa humildade abre espaço para reconhecer valor em outras tradições religiosas, sem necessidade de confronto”.
Fonte: Canção Nova





