Nesta Quarta-feira de Cinzas, 18, o Papa Leão XIV presidiu a Missa com a bênção e imposição das Cinzas em Roma que marca o começo da Quaresma.
“No início de cada Tempo Litúrgico, redescobrimos com alegria sempre nova a graça de ser Igreja, convocados a ouvir a Palavra de Deus”, disse o Santo Padre no início de sua homilia. “O profeta Joel chegou até nós com a sua voz que tira cada um do seu isolamento e faz da conversão uma urgência, concomitantemente, pessoal e pública: ‘tem piedade do Seu povo, Senhor’”.
O início da Quaresma, prosseguiu o Pontífice, simboliza um tempo forte na comunidade. “Sabemos como é cada vez mais difícil reunir as pessoas e sentir-se povo, não de forma nacionalista e agressiva, mas na comunhão em que cada um encontra o seu lugar”, disse.
O mal não vem de presumíveis inimigos, mas deve ser enfrentado com cada um assumindo suas responsabilidades. “Devemos admitir que se trata de uma atitude contracorrente, mas que constitui uma verdadeira opção, honesta e atraente, quando é tão natural o declarar-se impotente diante de um mundo em chamas. Sim, a Igreja também existe como profecia de comunidades que reconhecem os seus pecados”, observou o Papa.
O pecado é pessoal
“É claro que o pecado é sempre pessoal”, afirmou o Sucessor de Pedro, “mas ele ganha forma nos ambientes reais e virtuais que frequentamos, nas atitudes com que nos condicionamos mutuamente, muitas vezes dentro de autênticas ‘estruturas de pecado’ de ordem econômica, cultural, política e até religiosa. Opor o Deus vivo à idolatria – ensina-nos a Escritura – significa ousar a liberdade e reencontrá-la através de um êxodo, de um caminho”, ponderou.
É raro, porém, lamentou o Bispo de Roma em sua homilia, encontrar pessoas e estruturas da sociedade que assumam o erro e o arrependimento. “Hoje, entre nós, trata-se precisamente desta possibilidade. Não é por acaso que muitos jovens, mesmo em contextos secularizados, sentem – mais do que no passado – o apelo deste dia”.
E é com os jovens, apontou Leão XIV, que o mundo e a sociedade podem aprender modos mais justos de se viver. “É necessário, portanto, começar por onde se pode e com quem está presente. ‘É este o tempo favorável, é este o dia da salvação!’ (2 Cor 6, 2)”, enalteceu.
Onde está o seu Deus?
Esta foi a pergunta do profeta, disse o Santo Padre: “onde está seu Deus?”. “É como um forte golpe”, disse Leão XIV. “Lembra-nos também aqueles pensamentos que nos dizem respeito, surgindo entre quem observa o povo de Deus do lado de fora. A Quaresma, com efeito, estimula-nos às mudanças de direção – conversões – que tornam mais crível o nosso anúncio”, explicou.
O Pontífice recordou ainda que, algumas semanas após a conclusão do Concílio Vaticano II, São Paulo VI desejou celebrar publicamente o Rito das Cinzas, tornando-o claro a todos. “Falou dele como uma ‘cerimônia penitencial severa e impressionante’, que fere o senso comum e, ao mesmo tempo, intercepta as questões da cultura”, apontou Leão XIV.
“Hoje podemos reconhecer a profecia contida nestas palavras e sentir nas cinzas que nos são impostas o peso de um mundo em chamas, de cidades inteiras destruídas pela guerra: as cinzas do direito internacional e da justiça entre os povos, as cinzas de ecossistemas inteiros e da concórdia entre as pessoas, as cinzas do pensamento crítico e de antigas sabedorias locais, as cinzas daquele sentido do sagrado que habita em cada criatura”, concluiu.
Eis que a Quaresma, disse o Pontífice, é a oportunidade de restabelecer a profunda sintonia com o Deus da vida. “A Ele redirecionemos, com sobriedade e alegria, todo o nosso ser, todo o nosso coração”, findou.
Fonte: Canção Nova





