A vida como um caminho de fé. Esta foi a vertente utilizada pelo Papa Leão XIV em sua homilia na missa celebrada neste domingo, 1º, na Paróquia da Ascensão de Nosso Senhor Jesus Cristo, no bairro Quarticciolo, em Roma. Esta foi a terceira paróquia a ser visitada pelo Bispo de Roma neste tempo de Quaresma.
A homilia do Pontífice foi inspirada nos episódios bíblicos da viagem de Abraão e da Transfiguração (Mt 17,1-9). Assim como Abraão, cada um é chamado a reconhecer-se a caminho, explicou o Pontífice, uma vez que a vida é uma viagem que exige confiança e fidelidade à Palavra de Deus.
Leão XIV observou que a viagem de Abraão começa com uma perda: a terra e a casa que conservam as memórias do seu passado. Mas ela se realizará numa nova terra, numa imensa descendência, onde tudo se transforma em bênção. “Também nós, se nos deixarmos chamar pela fé para o caminho, a arriscar novas decisões de vida e de amor, deixaremos de ter medo de perder algo, pois sentiremos que crescemos numa riqueza que ninguém pode roubar!”, disse.
Da mesma forma, os discípulos de Jesus também tiveram que fazer uma viagem, que os levaria a Jerusalém, onde o Mestre cumpriria sua missão, oferecendo a vida na cruz. “Jesus encoraja-nos a não parar e a não mudar de rumo. Não há promessa maior, não há tesouro mais precioso do que viver para dar a vida!”, acrescentou.
Ouvir a voz de Cristo e ser luz para o mundo
Concentrando-se no relato da Transfiguração, o Papa lembrou a oposição dos discípulos quando souberam, poucos dias antes desse episódio, do ponto de chegada da viagem que faziam: a paixão, morte e ressurreição de Jesus. Seis dias depois, Jesus pediu que Pedro, Tiago e João o acompanhassem até a montanha, onde se mostrou transfigurado numa luz deslumbrante, inimaginável.
“Mais uma vez, Pedro torna-se porta-voz do nosso mundo antigo e da sua necessidade desesperada de deter as coisas, de as controlar”, disse o Papa. Ele explicou que Pedro gostaria de impedir aquela viagem até Jerusalém, que, no entanto, deveria continuar.
No momento da Transfiguração, a voz do Pai saiu da nuvem dizendo: “Eis o meu Filho muito amado… ouvi-o”. Uma voz que ressoa ainda hoje para cada um, observou o Santo Padre, pedindo que os fiéis a escutem.
“Ouçamo-lo, entremos na sua luz para nos tornarmos luz do mundo, começando pelo bairro onde vivemos. Toda a vida da paróquia e dos seus grupos existe para isto: trata-se de um serviço à luz, de um serviço à alegria.”
Continuar a “viagem” com olhar de fé
Após a Transfiguração no monte, a viagem de Jesus não se interrompeu, observou o Papa. Assim, a Igreja e aquela paróquia visitada recebem deste Evangelho a missão de ter o olhar de fé diante das dificuldades.
“Sinto-me muito feliz por saber que esta comunidade paroquial é uma comunidade viva e animada e que, não obstante os graves problemas do contexto territorial, dá testemunho do Evangelho com coragem”, disse o Papa. “Continuai neste caminho de abertura ao território e de cuidado das suas feridas. E espero que outros se unam a vós para ser aqui, no Quarticciolo, fermento de bem e de justiça.”, exortou.
Fonte: Canção Nova






