A Quaresma começa no próximo dia 18, Quarta-feira de Cinzas. Cada domingo desse tempo litúrgico “ajuda na preparação para a Semana Santa e Páscoa percorrendo páginas especiais do Antigo e do Novo Testamento, onde batismo e penitência emergem como dois pilares do itinerário quaresmal”, disse o padre Rafhael Silva Maciel, da arquidiocese de Fortaleza (CE).
O sacerdote, doutor em Liturgia pelo Pontifício Instituto de Santo Anselmo, em Roma, falou com ACI Digital sobre a origem e o significado da Quaresma e como cada um dos cinco domingos desse tempo litúrgico ajudam na preparação para a Semana Santa e Páscoa.
Origem da Quaresma
Segundo o padre da arquidiocese de Fortaleza (CE), Rafhael Silva Maciel, doutor em Liturgia pelo Pontifício Instituto de Santo Anselmo, em Roma, “não se sabe ao certo quando se deu o início do Tempo da Quaresma, mas entre o final do século III e o início do século IV, no Egito, era práxis fazer um período de jejum de 40 dias em honra do jejum feito por Jesus no deserto, que tinha início logo após a solenidade da Epifania, com a celebração do Batismo do Senhor”.
“Não custou muito tempo para que essa prática fosse ligada a uma preparação dos fiéis para a celebração da Páscoa do Senhor”, disse o padre.
O sacerdote contou que “o Concílio de Nicéia, em 325, no cânon 5, já menciona a quadragesima paschae, ou seja, um tempo de quarenta dias precedentes em preparação à Páscoa”. Além disso, ressaltou que são Jerônimo (347 – 420) “é o primeiro autor eclesiástico a testemunhar sobre a existência da Quaresma em Roma; o que se confirmará com textos de são Leão Magno” (400 – 461).
Se contados os dias corridos, a Quaresma soma mais de 40 dias. Entretanto, disse o padre Rafhael, “os Domingos, que continuam sendo o dia da Páscoa semanal, para o fiel não contam como dia penitencial”.
“Se contarmos a quantidade de dias da Quarta-feira de Cinzas até a Quinta-feira Santa, pela manhã, dentro desse espaço de tempo estão os dias penitenciais, somar-se-ão 44 dias, dos quais subtraímos os Domingos de Quaresma, resultando em 40 dias de penitência quaresmal”, disse.
A Quaresma na Bíblia
Os 40 dias têm um significado. O padre Rafhael disse que “o simbolismo bíblico do número 40 perpassa todo tempo quaresmal – que significa, na Palavra de Deus, tempo de espera, de humilhação, de esforço, de penitência de luta”. O sacerdote citou, por exemplo, os “40 dias de Moisés no Sinai”, os “40 anos de Israel no deserto” e os “40 dias de Jesus na sua preparação para o início do seu ministério público”.
“Após os 40 anos/dias chega-se à vitória, ao prêmio esperado”, completou. Segundo o sacerdote, “dessas experiências, especialmente aquela de Jesus no deserto, sobressai a relação dos 40 dias de jejuns quaresmais”. Ele ressaltou que “outro episódio bíblico que entra na dinâmica da experiência quaresmal é o Domingos de Ramos e da Paixão do Senhor”.
Os domingos da Quaresma
O padre Rafhael Maciel disse que “os domingos da Quaresma apresentam um itinerário espiritual não apenas de preparação para a Páscoa, mas um caminho de iniciação sacramental em vista da Páscoa – haja vista os catecúmenos e a renovação batismal na Vigília Pascal”.
Segundo ele, “são três as dimensões fundamentais do Tempo da Quaresma, apresentadas para os fiéis a cada Domingo deste tempo”. Primeiro, disse, “uma introdução ao Mistério Pascal”. Em seguida, “uma dimensão sacramental-batismal”. E em terceiro, “a dimensão da conversão, de caráter mais penitencial”.
“Nos dois primeiros domingos quaresmais leem-se as passagens bíblicas dos sinóticos [isto é, os evangelhos Segundo Mateus, Marcos e Lucas] que narram as tentações que Jesus sofreu e a cena da Transfiguração do Senhor, nos quais nos deparamos com a dupla tensão da nossa participação no Mistério Pascal de Cristo: morte e ressurreição”, disse.
Os outros três domingos quaresmais, disse, “a depender do ano litúrgico – A, B ou C – apresentam para os fiéis três itinerários diferentes, porém complementares, da experiência quaresmal em vista da Páscoa do Senhor”.
No ano A, em que se lê o Evangelho segundo são Mateus e que a Igreja está celebrando atualmente, “somos introduzidos na realidade do mistério da iniciação à vida cristã, com textos bíblicos que nos remetem aos passos da experiência catecumenal: a samaritana, o cego de nascença e a ressurreição de Lázaro – nesses trechos Jesus se revela ao ser humano e daí a prefiguração do batismo, na adesão a Ele, pela fé”, disse.
No ano B, dedicado ao texto segundo são Marcos, “a atenção dos fiéis se volta para a realidade da Páscoa do Senhor, com trechos do Evangelho joanino em que se pode contemplar o mistério pascal olhando para Jesus como Templo (Jo 2,1-3-25), o novo Moisés (Jo 3,14-21) e o grão de trigo que morre para ressuscitar (Jo 12,20-33). Jesus é a realização de todas as figuras prefiguradas no Antigo Testamento”.
No ano C, Lucas, “os três últimos domingos da Quaresma perfazem uma catequese sobre a reconciliação com a parábola da figueira (Lc 13,1-9), a parábola do filho pródigo (Lc 15,1-3.11-32) e a cena da adúltera perdoada (Jo 8,1-11)”. “São verdadeiras catequeses sobre a misericórdia de Deus para com quem se arrepende de verdade de seus pecados”, disse.
Fonte: ACI Digital



