“A caridade não admite atrasos”, advertiu o Papa Leão XIV em 6 de junho, primeiro dia de sua viagem apostólica à Espanha, dirigindo-se aos trabalhadores e beneficiários do projeto social Cedia 24 Horas, em Madri. As palavras já não bastavam: ganharam um rosto. O de uma mãe e filha em seu quarto, segurando um pacote de biscoitos e um pacote de macarrão, entre um ursinho de pelúcia e um desenho pendurado na parede. É o rosto dos alimentos, medicamentos e ajuda humanitária que o Pontífice entrega, por meio do Dicastério para o Serviço da Caridade, às populações afetadas pelo sofrimento em todo o mundo. A solidariedade “não conhece fronteiras nem se limita ao nacionalismo”, declarou o esmoleiro do Papa, o arcebispo agostiniano dom Luis Marín de San Martín, à mídia do Vaticano. Ele continuou: “A ajuda deve chegar a todos os lugares onde há sofrimento e onde surgem necessidades urgentes. Por isso, garantimos que seja rápida, concreta e coordenada, e que se dirija especialmente aos mais pobres, para transmitir-lhes a proximidade e a ternura do Santo Padre, como o carinho da Igreja que acompanha e ampara.” Enviada e distribuída incansavelmente, a ajuda tem amparado, desde o início da guerra, a população da Ucrânia devastada pelo conflito, bem como as da Faixa de Gaza e do Líbano, onde, em abril passado, foi anunciada a chegada de um carregamento de ajuda humanitária contendo cerca de 15 mil pacotes de medicamentos essenciais para a população. Na esteira de um ato constante de solidariedade ao longo dos anos, mas também pronta para responder prontamente aos pedidos de socorro, a mão de Leão XIV continua a oferecer conforto em todos os continentes, com dedicação regular e sem distinção. É um mapa feito de terremotos e ciclones, secas e inundações, mas também de violência diária, crianças abandonadas, famílias sem comida.
Acolhimento na Europa
Mesmo dentro das fronteiras da Europa, por trás das vitrines de um continente que se diz próspero, existem histórias de pobreza e exclusão. Em Chipre, cruzamento de rotas migratórias no Mediterrâneo, há um projeto de Santo Egídio para requerentes de asilo com refeições, kits de higiene e apoio psicológico em campos de acolhimento. Há também um projeto de assistência concreta na Geórgia com o envio de suprimentos para concluir a construção de uma casa para crianças pobres em Tbilisi, um projeto que já havia contado com a participação pessoal do Papa Francisco e que Leão XIV está agora concluindo.
Conforto no Oriente Médio e na Ásia
Na Síria, onde a guerra parece ter terminado nas manchetes dos jornais, mas não no cotidiano das pessoas, a comunidade cristã continua vivendo sob pressão e ameaças silenciosas. E lá, graças à ajuda financeira do Vaticano à Cáritas local, o núncio apostólico, dom Luigi Roberto Cona, distribuirá nestes dias 2 mil cestas básicas contendo arroz, demais cereais e azeite.
Em Bangladesh, a caridade do Papa tocou duas feridas abertas. A primeira é Cox’s Bazar, o maior campo de refugiados do mundo, onde mais de um milhão de refugiados rohingya vivem amontoados em barracos de bambu e lonas plásticas, uma condição de apátrida que já dura anos. O Santo Padre, mantendo seu apoio de longa data, enviou nas últimas semanas mais ajuda concreta a quem vive nesse vasto campo e que já nem sequer tem uma nação à qual pertencer. A segunda ferida é a mais recente, na Diocese de Chattogram, afetada por enchentes contínuas, onde foram disponibilizados fundos diretos para a distribuição de itens de primeira necessidade, a retomada das atividades agrícolas, a segurança alimentar, o apoio a escolas e orfanatos e a reparação de casas.
E o apoio concreto continua sendo fornecido a Gaza e ao Líbano, onde, em abril passado, por meio da nunciatura local, foi enviada ajuda humanitária, incluindo aproximadamente 15 mil pacotes de medicamentos essenciais, como antibióticos, anti-hipertensivos e analgésicos, para a população devastada pela guerra.
Ajuda do Papa na África
É no continente africano que a obra de caridade do Bispo de Roma assume talvez as suas formas mais diversas. Em Burkina Faso, na Diocese de Ouahigouya, foi enviada uma contribuição no início de julho para apoiar um projeto médico e de saúde para deslocados internos e pessoas em situação de pobreza, com foco especial na saúde materno-infantil. Enquanto isso, no Quênia, no Lar Infantil Santa Ângela Embu, o apoio concreto enviado através do Dicastério está ajudando no desenvolvimento de crianças que viveram o abandono e as ruas antes mesmo de terem uma infância normal: ali, elas encontram acolhimento, inclusão, uma refeição regular e educação. E em Madagascar, a Arquidiocese de Toamasina solicitou assistência após o impacto devastador do Ciclone Gezani em 10 de fevereiro; ali, o Fundo do Santo Padre para as Obras de Caridade financia uma resposta multifacetada, desde a distribuição imediata de alimentos até a reconstrução de casas e a retomada da atividade econômica. Por fim, na Zâmbia, onde a seca do início de julho destruiu as plantações e deixou famílias inteiras da diocese sem comida, além de noventa crianças que vão à escola todos os dias de estômago vazio: a caridade do Papa ajudará a apoiá-las, como um Pai atento a cada um de seus filhos.
Há também uma história na Tanzânia que, mais do que qualquer outra, ilustra o significado de sacrifício e amor pela Igreja. O sr. Constantine ficou gravemente ferido, perdendo uma perna, ao tentar servir de escudo humano para salvar a vida do pároco de sua paróquia, vítima de uma tentativa de homicídio durante a missa do Domingo de Páscoa. Sem condições de receber atendimento médico por motivos financeiros, ele recorreu ao Santo Padre, recebendo tratamento e uma prótese que lhe permitiu andar novamente.
Reconstrução na América Latina
Também do outro lado do Atlântico, a mão do Papa continua alcançando quem pede ajuda. Na Argentina, na Diocese de Tucumán, em abril passado, violentas tempestades danificaram o refeitório e as oficinas de um centro que abriga 450 crianças e jovens vulneráveis, muitos dos quais, sem essa estrutura, não teriam nem refeição nem oportunidades educacionais. Lá, o apoio financeiro prontamente enviado pelo Santo Padre por meio do Dicastério para o Serviço da Caridade possibilitou o início dos trabalhos de reconstrução. Mais ao norte, no Haiti, onde a instabilidade social e a violência de gangues tornaram a vida cotidiana quase impossível para grande parte da população, as ajudas do Papa chegam e levam alívio a famílias desesperadas, com a distribuição de alimentos e assistência médica e de higiene. Por fim, na Venezuela, duas faces diferentes da mesma caridade. Por um lado, o projeto “Almoços Nutritivos para o Alto Orinoco”, apoiado pela Nunciatura local, fornecerá almoço nutritivo por seis meses às crianças da escola Mavaca e do internato La Esmeralda, em sua maioria indígenas sem acesso aos recursos básicos. Para muitas dessas crianças, essa refeição é a única refeição completa do dia. Além disso, o apoio econômico à população continua ininterruptamente após o recente e devastador terremoto que atingiu o país. Após a contribuição inicial enviada nas horas imediatamente seguintes ao desastre para atender às emergências iniciais, novas e contínuas ajudas para a reconstrução são enviadas; a mais recente foi enviada na manhã desta terça-feira, 28 de julho, à Arquidiocese de Caracas como um sinal de renascimento e semente de esperança.
Intervir e refletir sobre as causas da pobreza
Cada uma das iniciativas mencionadas apoia o compromisso reiterado pelo esmoleiro: “A caridade não se limita ao socorro imediato”, mas também convida à “reflexão sobre as causas da pobreza, para ajudar a transformar as injustiças, marcadas pelo pecado, que geram exclusão e sofrimento”. O Dicastério para o Serviço da Caridade, conclui dom Luis Marín de San Martín, mantém a profunda consciência de que “o amor é a chave da vida cristã, e a urgência da caridade, vivida como resposta ao Evangelho, nos impulsiona todos os dias a estar perto de nossos irmãos e irmãs, compartilhando suas lutas e esperanças como Igreja”.
Fonte: Canção Nova





