A Fundação Pontifícia Ajuda à Igreja que Sofre (ACN), com o apoio da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), realiza na quinta-feira (6) a 12ª edição do Dia de Oração pelos Cristãos Perseguidos. A iniciativa convida todas as paróquias e comunidades católicas do Brasil a se unirem em oração pelos cristãos que sofrem perseguição por causa da fé. Nesse dia também terá uma missa na capela da ACN, em São Paulo (SP), às 11h, com transmissão ao vivo pelo Youtube da ACN Brasil.
“Rezar é demonstrar importância ao tema e dar a visibilidade necessária para uma posição contrária à perseguição de quem, ainda hoje, paga um alto preço por acreditar em Jesus”, disse a ACN.
Dia de Oração pelos Cristãos Perseguidos
O Dia de Oração pelos Cristãos Perseguidos é celebrado em 6 de agosto em memória da perseguição sofrida pelos cristãos do norte do Iraque em 2014, quando milhares de pessoas foram expulsas de suas casas pelo grupo Estado Islâmico. Na ocasião, cerca de 100 mil cristãos deixaram a região durante a noite em direção às cidades curdas de Erbil e Dohuk.
“Cerca de 100 mil cristãos, aterrorizados e em pânico, fugiram de suas casas sem nada, somente com as roupas do corpo”, disse na época o então patriarca da Babilônia dos Caldeus, cardeal Louis Raphael Sako.
Depois de receber as primeiras informações sobre a situação, a ACN mobilizou seus benfeitores e iniciou ações de apoio aos cristãos perseguidos e refugiados. Desde então, a fundação pontifícia desenvolve projetos de ajuda humanitária no Oriente Médio, com iniciativas voltadas à alimentação, abrigo e educação das comunidades afetadas.
Relatório de Liberdade Religiosa 2025
Segundo o Relatório de Liberdade Religiosa 2025 da ACN, cerca de 5,4 bilhões de pessoas vivem em países onde há discriminação ou perseguição por causa da fé. Desse total, mais de 4,1 bilhões estão em 24 países classificados como “as violações mais graves da liberdade religiosa”.
O relatório diz que “agressões, sequestros, prisões e mortes” estão entre as formas de violência sofridas por comunidades religiosas. O documento também identifica “três principais fatores que impulsionam a perseguição” religiosa no mundo: governos autoritários, extremismo religioso e nacionalismo étnico-religioso.
“Na Coreia do Norte, possuir uma bíblia pode levar à prisão perpétua ou à execução. Na China, o programa Skynet, com cerca de 700 milhões de câmeras de vigilância, monitora todos os grupos religiosos”, diz a ACN. Já os “grupos de jihadistas não atacam apenas outras religiões”, mas “eliminam todos os que não compartilham da sua exata interpretação da fé”. “Na região do Cinturão Médio da Nigéria, vilas inteiras são forçadas a fugir, enquanto igrejas e escolas são incendiadas por grupos armados”, acrescenta. “Na Índia, políticas nacionalistas hindus têm enfraquecido as liberdades religiosas constitucionais, atingindo comunidades muçulmanas e cristãs por meio de leis anticonversão, restrições às suas atividades e violência social”.
A ACN destaca que “a liberdade religiosa se torna ainda mais frágil em zonas de conflito”. Segundo a fundação, a guerra “não mata apenas pessoas”, mas também destrói “os espaços onde elas buscam consolo, esperança e Deus”.
O relatório ressalta que as violações “mais dolorosas da liberdade religiosa afetam” especialmente os grupos mais vulneráveis, como as minorias religiosas, mulheres e crianças.
“No Paquistão, meninas cristãs hindus, algumas com apenas 10 anos, são sequestradas, forçadas a se converter ao Islã e obrigadas a se casar com seus sequestradores. Quando as famílias buscam ajuda da polícia, muitas vezes são ignoradas pelas autoridades. Inúmeras meninas cristãs no Egito foram vítimas de sequestros, estupros, casamentos forçados e conversões forçadas motivadas pela religião”, relata a ACN.
O relatório ainda alerta que os “governos autoritários usam inteligência artificial para monitorar conteúdos religiosos online”. “Cada oração compartilhada, cada pergunta espiritual feita, cada discussão de fé pode se tornar um motivo para perseguição”, diz a fundação. “Somente no Paquistão há mais de 400 mil denúncias contra pessoas por causa do que publicam sobre religião”, acrescenta.
Segundo o relatório, mais de 1,3 bilhão de pessoas em 38 países sofrem discriminação frequente. “Nesses países, as pessoas podem não ser mortas por causa da sua fé, mas são impedidas de conseguir emprego, proibidas de construir templos ou de ensinar sua crença aos próprios filhos”, diz.
“A liberdade religiosa não pode ser defendida apenas pelas comunidades religiosas, ela exige o esforço de todos nós, governos, instituições, educadores”, por isso, “devemos erguer nossas vozes, exigir proteção e lembrar, se a liberdade religiosa é negada a um, cedo ou tarde será negada a todos”, diz a ACN. “O momento de agir é agora, porque a liberdade religiosa é um direito humano e não um privilégio”, conclui.
Fonte: ACI Digital







