“Organizar uma Jornada é difícil, mas viver depois da Jornada pode ser ainda mais exigente”, disse o bispo de Setúbal, cardeal Américo Aguiar, na segunda reunião preparatória da Jornada Mundial da Juventude Seul 2027, que acontece na Coreia do Sul, de 13 a 17 de setembro. Dom Américo foi o responsável pela organização da JMJ Lisboa 2023, quando ainda era bispo auxiliar de Lisboa.
Dom Américo fez alusão à Transfiguração de Jesus no Monte Tabor para ressaltar que “a vida não é uma Jornada permanente”, pois “é preciso descer do monte”.
“Jesus não nos deixa construir as tendas. Manda-nos descer e voltar às nossas casas, às nossas dioceses, às nossas paróquias, às nossas famílias, às nossas escolas, universidades e locais de trabalho”, disse o bispo, segundo a Agência Ecclesia, da Conferência Episcopal Portuguesa (CEP). Ele disse que “é aí que começa a pergunta verdadeiramente importante sobre o legado: o que fazemos, na planície, com aquilo que recebemos no monte?”
O cardeal citou o exemplo do Rejoice- Jornada Nacional da Juventude, evento que teve a segunda edição de 24 a 26 de julho deste ano, em Lamego, e reuniu cerca de 1,2 mil jovens das diferentes dioceses portuguesas. Dom Américo ressaltou que, embora não tenha registrado “grande multidão”, a participação dos jovens mostrou que a “JMJ Lisboa 2023 continua a dar frutos”.
“Nem sempre serão árvores carregadas de frutos”, disse. “Às vezes será apenas um pequeno rebento. Mas existe, cresce e multiplica-se”, acrescentou.
Segundo o cardeal, “as multidões enchem-nos de alegria e confiança” e mostram “que não estamos sozinhos”, mas “será sempre no recato de cada vida que se fará o milagre do encontro com Jesus vivo no meio de nós”.
Para dom Américo, “o maior legado de uma Jornada” é “o rosto de um jovem que regressou a casa diferente; de um voluntário que descobriu que servir pode ser uma forma de felicidade; de uma família que abriu a porta a um desconhecido e, alguns dias depois, se despediu de um amigo”.
“É o rosto de uma comunidade que percebeu que os jovens não são apenas o futuro da Igreja. Os jovens são Igreja agora”, disse.
Trabalho em conjunto
Dom Américo Aguiar também destacou a importância do trabalho em conjunto na preparação da JMJ. “Quando cada um oferece aquilo que tem, mesmo quando parece pouco, Deus encontra espaço para fazer muito mais”, disse.
Segundo ele, “foi isso que vimos em Lisboa” e é o que ele deseja para Seul.
O cardeal, porém, ressaltou que não deseja que Seul sela “uma cópia de Lisboa”, assim como Lisboa não foi uma cópia de edições anteriores da JMJ.
“A JMJ Seul 2027 terá o rosto da Coreia. Terá a vossa cultura e a vossa história, a vossa fé e as vossas feridas, a vossa esperança e os vossos jovens. E terá também aquilo que nenhum de nós consegue ainda imaginar, porque o Espírito continua a soprar e, quando o Espírito sopra, nunca sabemos inteiramente o que nos traz”, disse.
Reunião preparatória
Uma delegação portuguesa participou da segunda reunião preparatória da JMJ Seul 2027. Fazem parte do grupo, além do cardeal Américo Aguiar, padre Filipe Diniz, Pedro Carvalho e Isabel Fernandes, do Departamento Nacional da Pastoral Juvenil (DNPJ).
Segundo o DNPJ, “a reunião em Seul constitui um momento de trabalho conjunto com o Comitê Organizador Local, permitindo aprofundar os principais aspectos da preparação da Jornada e da participação dos peregrinos de diferentes países”.
O programa da reunião inclui o conhecimento e aprofundamento das propostas para a JMJ Seul 2027, como o recrutamento e preparação dos peregrinos, o sistema de inscrição e aplicativo digital da Jornada, os Dias nas Dioceses e restantes eventos e a caminhada dos peregrinos até à sua participação na Jornada.
A JMJ Seul 2027 vai acontecer de 3 a 8 de agosto de 2027, com o tema “Coragem! Eu venci o mundo” (cf. Jo 16,33).
Para o DNPJ, participar da segunda reunião preparatória é uma oportunidade para acompanhar de perto a preparação da JMJ Seul 2027, reforçar a articulação com o Comitê Organizador Local e continuar a preparação do caminho dos jovens portugueses.
Fonte: ACI Digital






