Um encontro para ressaltar a busca pela paz e a unidade que surge a partir das dificuldades, em resposta à exploração promovida pelos poderosos. Nesta quinta-feira, 16, o Papa Leão XIV visitou a comunidade de Bamenda, uma região de Camarões marcada pela violência e pela pobreza. O encontro na Catedral de São José reuniu membros de diferentes religiões e apresentou ao Pontífice diversos testemunhos de quem vive em meio aos conflitos.
No início do seu discurso, o Pontífice expressou sua alegria em se encontrar com os presentes em uma terra tão atormentada. A partir dos testemunhos apresentados, o Santo Padre sinalizou que toda a dor sofrida pela comunidade torna ainda mais impactante a consciência de que Deus nunca abandona Seus filhos.
O Santo Padre mencionou a profecia de Isaías na qual o profeta escreve: “Que formosos são sobre os montes os pés do mensageiro que anuncia a paz” (Is 52, 7). Em resposta à acolhida dos presentes, Leão XIV afirmou que também são formosos os pés do povo, empoeirados pela terra ensanguentada, mas fecunda; ultrajada, mas generosa.
“São os pés que vos trouxeram até aqui e que, apesar de encontrarem provações e obstáculos, vos mantiveram nos caminhos do bem. Agradeço-vos, porque – sim, é verdade! – estou aqui para anunciar a paz, mas constato de imediato que sois vós que a anunciais a mim e ao mundo inteiro”, declarou Leão XIV.
Dor que une
O Papa ressaltou que a crise que abalou a região aproximou as comunidades cristãs e muçulmanas a ponto de os líderes religiosos se unirem e fundarem um Movimento pela Paz. “Quanto gostaria que assim acontecesse em tantos lugares da terra”, exclamou, “bem-aventurados os construtores da paz!”.
“Porém”, prosseguiu o Pontífice, “ai daqueles que submetem as religiões e o próprio nome de Deus aos seus objetivos militares, econômicos e políticos, arrastando o que é santo para o que há de mais sujo e tenebroso”. Frente à fome e sede de justiça, o Santo Padre exortou os presentes a serem, por muito tempo, o sal que dá sabor à terra. “Valorizai o que vos aproximou e partilhastes na hora do pranto. Sede azeite que se derrama sobre as feridas humanas”, animou.
Denúncia a investimentos militares
Neste contexto, Leão XIV agradeceu a todos que cuidam daqueles traumatizados pela violência, reconhecendo que este é um trabalho imenso, invisível, cotidiano e exposto a perigos. O Papa denunciou ainda os “senhores da guerra”, que “fingem não saber que basta um instante para destruir, mas muitas vezes não basta uma vida inteira para reconstruir; fingem não ver que são necessários milhares de milhões de dólares para matar e devastar, mas não se encontram os recursos necessários para curar, educar e reerguer”.
“Quem saqueia os recursos da vossa terra, geralmente investe grande parte dos lucros em armas, em uma espiral de desestabilização e morte sem fim. É um mundo ao contrário, uma subversão da criação de Deus que toda consciência honesta deve denunciar e repudiar”, frisou o Pontífice.
Acolher a paz
Segundo o Santo Padre, a conversão conduz ao caminho da fraternidade humana. A partir disso, é preciso acolher o próximo como um irmão. A paz não é algo a inventar, mas a acolher, sublinhou. “Ninguém escolhe os seus irmãos: devemos apenas acolher-nos uns aos outros! Somos uma única família e habitamos a mesma casa”, sinalizou.
Recordando as palavras do Papa Francisco na exortação apostólica Evangelli Gaudium, Leão XIV enfatizou a missão “no coração do povo” (n. 273). “É com estes sentimentos que me encontro entre vós”, exprimiu o Pontífice, que concluiu seu discurso exortando todos a caminharem juntos, cada um com sua própria vocação, para alargar as fronteiras das comunidades e promover o amor.
Fonte: Canção Nova






