Dando continuidade à sua viagem apostólica a Camarões, o Papa Leão XIV seguiu, nesta sexta-feira, 17, para a cidade de Douala, capital econômica do país, onde presidiu a Santa Missa no Japoma Stadium. Exaltando a riqueza de valores e de fé do povo camaronês, o Pontífice confirmou-os na fé, exortando-os a seguir em frente no anúncio do Evangelho com confiança em Deus.
As palavras do Pontífice foram um reflexo do Evangelho do dia, que mostra os discípulos ao redor de Jesus preocupados em como alimentar a multidão que os seguiam. O Papa observou que a pergunta de Jesus aos discípulos se repete hoje, diante do povo faminto e oprimido pelo cansaço: “O que fazeis?”.
“Esta pergunta é dirigida a cada um de nós: é dirigida aos pais e mães que cuidam das suas famílias. É dirigida aos pastores da Igreja, que velam pelo rebanho do Senhor. É dirigida a todos os que têm a responsabilidade social e política de olhar pelo povo e pelo seu bem.”, afirmou.
O dom da partilha
Leão XIV destacou que todos sentem fome da mesma maneira, uma carência que recorda ao ser humano que ele é criatura e precisa comer para viver. “Não somos Deus: mas, precisamente, onde está Deus perante a fome das pessoas?”, indagou. A resposta de Jesus, explicou o Papa, foi dada no milagre da multiplicação, que aconteceu a partir da partilha. “Eis o milagre! Há pão para todos se for dado a todos. Há pão para todos se for tomado não com uma mão que se apodera, mas com uma mão que doa.”
Fazendo assim, a comida torna-se abundante, acrescentou o Papa. “Não é racionada por causa de uma emergência, não é roubada por causa de disputas, não é desperdiçada por quem se banqueteia diante daqueles que não têm nada para comer. Passando das mãos de Cristo para as dos seus discípulos, a comida aumenta para todos; mais ainda, sobra”.
A fome de paz e de justiça
O milagre que Jesus realizou é sinal do amor de Deus, frisou o Papa. Mostra não só como Deus alimenta a humanidade com o pão da vida, mas como se pode levar esse alimento a todos que têm fome de paz, liberdade e justiça. “Na verdade, ao alimento que nutre o corpo é necessário unir, com igual caridade, o alimento da alma, que nutre a nossa consciência, que nos sustenta na hora sombria do medo, nas trevas do sofrimento. Este alimento é Cristo, que sempre alimenta em abundância a sua Igreja e com o seu Corpo nos fortalece ao longo do caminho.”
Assim, a Eucaristia torna-se fonte de fé renovada, disse Leão XIV. A mesa em torno Dela se torna anúncio de esperança em meio às provações e injustiças, torna-se sinal da caridade de Deus, que em Cristo convida a partilhar o que se tem para multiplica-lo na fraternidade.
Encorajamento aos jovens
Já concluindo sua homilia, Leão XIV deixou uma palavra de encorajamento em especial aos jovens, exortando-os a multiplicarem seus talentos com fé e amizade. Ele lembrou que Camarões é um país tão fértil, mas muitos ainda experimentam a pobreza, tanto material quanto a espiritual.
“Não vos esqueçais de que o vosso povo é ainda mais rico do que esta terra, pois o seu tesouro são os seus valores: a fé, a família, a hospitalidade, o trabalho. Sede, pois, protagonistas do futuro, seguindo a vocação que Deus concede a cada um, sem vos deixardes comprar por tentações que desperdiçam as energias e não servem ao progresso da sociedade.”
O Pontífice lembrou que os primeiros cristãos deram um testemunho corajoso de Jesus diante de dificuldades e ameaças e perseveram mesmo entre os ultrajes. Anunciar com constância o Evangelho é a missão de todo o cristão, pontuou. “É a missão que vos confio especialmente a vós, jovens, e a toda a Igreja que vive nos Camarões. Tornai-vos Boa Nova para o vosso país”, pediu.
Fonte: Canção Nova







