O Papa Leão XIV abençoou e inaugurou, nesta quarta-feira, 10, a Torre de Jesus Cristo, o ponto mais alto da Basílica da Sagrada Família, em Barcelona, na Espanha. A inauguração aconteceu no dia em que se recorda o centenário da morte de Antoni Gaudí, arquiteto que idealizou a basílica e foi declarado venerável pela Igreja em abril de 2025.
Do lado de fora da basílica, o Papa pôde acompanhar um espetáculo de luzes e fogos de artifício por ocasião da inauguração, mais um marco da fase de finalização da construção da igreja que começou há 144 anos. Também coube ao Papa revelar a placa comemorativa deste momento.
Antes da inauguração, Leão XIV visitou a cripta e o túmulo de Gaudí, localizados na Basílica, e presidiu a celebração eucarística. Em sua homilia, o Papa expressou o louvor e gratidão a Deus por este templo extraordinário, consagrado pelo Papa Bento XVI em 2010.

Detalhe da cruz iluminada no ápice da Torre de Jesus Cristo na Basílica da Sagrada Família; ao redor, a vista da cidade de Barcelona/ Foto: Reprodução Vatican Media
“Esta igreja é um edifício único, constituído por muitas pedras. Uma casa que cresce continuamente ao longo dos anos, seguindo um mesmo projeto. Todos nós somos as pedras vivas desta obra, que tem Cristo como fundamento e ápice, princípio e fim. Muito mais do que um monumento, a Basílica da Sagrada Família continua a ser hoje uma obra em construção, que nos lembra como a vida cristã é sempre um caminho, porque se trata de um projeto que é levado a cabo por Deus.”
A cruz de Jesus
Referindo-se ao Evangelho do dia, em que Jesus diz aos fariseus “Se não crerdes que Eu sou o que sou, morrereis nos vossos pecados” (Jo 8, 24), o Papa destacou que estas são palavras fortes, mas não são nem uma ameaça nem uma chantagem, e sim um convite à salvação. “Perante a ameaça do mal, o Senhor está sempre conosco, sempre a nosso favor”, frisou.

O Papa Leão XIV durante a celebração eucarística na Basílica da Sagrada Família / Foto: Reprodução Vatican Media
“Queridos irmãos, não podemos acreditar em Jesus e promover a guerra. Não podemos acreditar em Jesus e matar o inocente. Não podemos acreditar em Jesus e abandonar quem sofre, quem chora, quem foge da miséria.”
Por isso, nesta tarde, recorda-se que a Cruz de Cristo que coroa a Basílica da Sagrada Família é a Cruz dos últimos que se tornam os primeiros. As três fachadas da basílica atestam isso, observou o Papa.
“Ao admirar a torre de Jesus Cristo, elevamos o olhar para Ele, para Aquele que nos revela apenas a verdade de Deus e a verdade de nós mesmos. Olhando para Cristo, podemos ver o mundo com olhos renovados: a torre da cruz transforma-se então em estandarte da caridade, porque Deus nos ama assim, transformando um instrumento de morte num sinal de esperança.”
Venerável Antoni Gaudí, o “arquiteto de Deus”

Papa Leão XIV reza diante do túmulo de Antoni Gaudí / Foto: Reprodução Vatican Media
Não faltou na homilia do Papa uma menção ao venerável Antoni Gaudí, que idealizou a basílica e concebeu estes espaços com o desejo de narrar os mistérios da vida do Senhor. O artista, considerado “arquiteto de Deus” e que está em processo de beatificação, propôs uma peregrinação espiritual, que conduz ao encontro com Cristo, explicou o Papa.
“Esta tarde, com Gaudí, de quem recordamos o centenário da morte, lembramos e agradecemos todos os promotores e benfeitores, os artistas e trabalhadores que cooperam na construção de uma obra-prima de arquitetura, que é também uma catequese eloquente feita de pedras, cores e luz. (…) Nesta era da imagem, é ainda mais evidente como a arte e a beleza são canais eminentes de evangelização.”, comentou o Papa.
Por fim, Leão XIV considerou que a beleza da Basílica da Sagrada Família anima a aprender cada vez mais com Jesus a arte de viver segundo o Evangelho. Com a inauguração da Torre de Jesus Cristo, o templo tornou-se o mais alto do mundo, algo que não deve servir simplesmente como uma classificação mundana, frisou o Papa, mas para “guiar os passos do povo de Deus que peregrina na terra da Catalunha, com a cruz que ilumina o caminho, como uma lâmpada acesa na espera do regresso do Esposo.”
Partida para as Ilhas Canárias
Este foi o último compromisso do Papa em Barcelona. Nesta quinta-feira, 11, pela manhã (8h30 hora local, 3h30 em Brasília) ele parte de avião para Las Palmas de Gran Canaria, onde cumprirá a última etapa da visita. Nesta fase final, a realidade migratória será o ponto em destaque. O Pontífice terá encontro com migrantes e organizações que os assistem. A região das Canárias é uma das principais fronteiras migratórias da Europa.
Fonte: Canção Nova


