O arcebispo Christophe-Zakhia El-Kassis, núncio apostólico da Santa Sé na Organização das Nações Unidas (ONU), defendeu a “verdadeira igualdade” para as mulheres e que os avanços econômicos e tecnológicos globais priorizem a pessoa humana e o bem comum, em discurso proferido na sessão da última terça-feira (6) da 81ª Assembleia Geral.
El-Kassis, nomeado pelo papa Leão XIV para o cargo em julho, discursou na terceira comissão da ONU, de questões sociais, humanitárias e culturais, e na segunda comissão, para questões econômicas e financeiras.
Baseando-se na declaração do papa Leão XIV de que “o desenvolvimento é verdadeiramente humano quando coloca as pessoas no centro, em vez da acumulação de riquezas”, El-Kassis disse que a erradicação da pobreza deve vir acompanhada do desenvolvimento de um sistema que não trate os pobres “meramente como receptores passivos de assistência”.
“Eles devem ser participantes ativos e protagonistas nas medidas e programas concebidos para ajudá-los em suas próprias vidas”, disse ele. “Para alcançar os objetivos de erradicação da pobreza, pleno emprego e trabalho decente, e integração social, conforme estabelecido em Copenhague e reafirmado em Doha, será necessária cooperação contínua, criatividade e um compromisso renovado com uma visão política, econômica, ética e espiritual para o desenvolvimento social baseado na dignidade humana”. Copenhague, na Dinamarca, em 1995, e Doha, no Qatar, em 2025, sediaram as duas reuniões da Cúpula para o Desenvolvimento Social da ONU.
Em outra sessão sobre desenvolvimento sustentável e mudanças econômicas globais, El-Kassis defendeu que a economia mundial adote uma “arquitetura financeira internacional mais justa e inclusiva”.
“As circunstâncias do nascimento de uma pessoa não devem determinar o respeito pela sua dignidade inerente, dada por Deus, nem as oportunidades a que um indivíduo pode ter acesso”, disse. “Do mesmo modo, as circunstâncias econômicas de um país não devem limitar a sua capacidade de participar de modo significativo nas decisões que moldam o seu desenvolvimento”.
El-Kassis citou a encíclica Magnifica humanitas de Leão XIV ao falar sobre as mulheres e disse que “a igualdade para as mulheres não pode ser alcançada enquanto a violência contra as mulheres permanecer generalizada”. O representante da Santa Sé na ONU também condenou o tráfico de pessoas e disse que outros avanços tecnológicos e médicos possibilitaram modos de exploração, inclusive a barriga de aluguel.
A Santa Sé reafirmou sua oposição à barriga de aluguel, que trata a gestação como “um serviço negociável” que viola a dignidade tanto da criança como da mãe.
Fonte: ACI Digital




