Pela primeira vez na história, a Santa Sé espera uma indicação ao Oscar com Green Lava, documentário de 39 minutos que conta a história de Giacomo Mattivi. O italiano, de 25 anos, sofre de distrofia muscular de Duchenne. Seu irmão mais velho tinha a mesma doença e morreu de insuficiência respiratória.
“Giacomo estava no mesmo quarto e o viu morrer. O documentário retrata de maneira crua aquele momento e o sofrimento que lhe causou, ciente de que seu próprio futuro também está marcado pela doença. Mas junto com a morte vem a ressurreição. Essa é, de certo modo, a cruz que atravessa toda a história, porque Giacomo encontra forças para não se deixar abater e seguir em frente”, diz Lia Beltrami, que dirigiu o documentário com Ali Aksu, à ACI Prensa, agência em espanhol da EWTN.
A vida diária de Giacomo Mattivi
A produção acompanha esse jovem de inteligência brilhante e sensibilidade requintada que sonha em ser sociólogo, mas não esconde a deterioração física progressiva que vem sofrendo.
Ao longo das últimas duas décadas, a doença fez com que ele perdesse grande parte da sua força muscular. Quando criança, ele conseguia andar, mas hoje usa cadeira de rodas. Ele mal consegue mover as mãos e a cabeça, só o suficiente para controlar o veículo. Ele também precisa passar muitas horas conectado a um respirador.
“Conta a história de uma família criando dois filhos com uma doença tão grave. Os pais sabem que a vida dos filhos será marcada por dificuldades e provavelmente será mais curta. Até mesmo atividades simples como levantar da cama de manhã exigem horas de ajuda”, diz Beltrami.
Fé e família, suas âncoras para resistir
Apesar da gravidade da sua doença, a vida de Giacomo é um testemunho de esperança, tema capturado no documentário, que mostra como a fé ajudou essa família a perseverar. O jovem já não tem medo de encarar o fim da vida e até encontrou significado na morte do irmão.
Atualmente, ele está concluindo seus estudos em Sociologia e dedicará sua tese ao tema da morte. “Ele quer falar sobre uma realidade que é tabu em nossa sociedade, pensando tanto no que pode haver além da morte quanto no que acontece antes dela”, diz o diretor italiano.
O documentário foi filmado nas Dolomitas, cordilheira no norte da Itália onde vive o protagonista, e imagens de pinhais permeiam toda a obra.
Na verdade, o título do documentário Green Lava não é coincidência. “Para Giacomo, o verde dos pinheiros é um pilar essencial da sua vida, enquanto a lava representa a força de um vulcão. Ele se sente como um vulcão e precisa dessa lava para se manter sempre vivo, para nunca se petrificar”, diz Beltrami, evocando a ideia de que a identidade precisa passar por mudanças profundas, por vezes estranhas e violentas, para continuar crescendo.
Fonte: ACI Digital







