Comentários do embaixador de Israel junto à Santa Sé, Yaron Sideman, sobre a cidade de Taybeh, Cisjordânia, incomodaram líderes da Igreja local. Sideman condenou a violência na região, mas contestou as versões sobre sua gravidade.
Em discurso no Encontro de Amizade entre os Povos em Rimini, Itália, Sideman disse que “qualquer ato de violência contra qualquer pessoa é inaceitável” e que os responsáveis devem ser punidos conforme a lei. Mas ele disse que a situação em Taybeh foi “descrita em termos muito mais graves do que realmente é”.
Sideman disse que Israel é um Estado de Direito e garante a liberdade religiosa. Ele disse também aos peregrinos que visitar lugares sagrados é seguro e os encorajou a voltar à Terra Santa.
O Observatório para a Presença Cristã na Terra Santa disse que a descrição feita pelo embaixador é inconsistente com o padrão documentado de ataques e incursões que afetaram Taybeh — a última cidade na Cisjordânia com uma população inteiramente cristã.
Os incidentes foram documentados pela Igreja local e instituições da cidade, e acompanhados por missões diplomáticas, mídia internacional e organizações de direitos humanos.
Em julho do ano passado, patriarcas e líderes religiosos de Jerusalém visitaram Taybeh, acompanhados por diplomatas e representantes de cerca de 20 países, depois de uma escalada de ataques contra a cidade e seus lugares religiosos.
O cardeal Pierbattista Pizzaballa, patriarca latino de Jerusalém, alertou na época que a violência estava levando alguns cristãos a considerar a possibilidade de deixar a Cisjordânia.
Neste mês, o Conselho Mundial de Igrejas disse que Taybeh havia recebido cerca de 50 visitas diplomáticas no ano anterior, além da constante atenção da mídia. A organização destacou as preocupações dos moradores com relação aos ataques, incursões e os efeitos da violência em seu cotidiano.
O padre Bashar Fawadleh, pároco do patriarcado Latino em Taybeh e chefe do Observatório da Presença Cristã na Terra Santa, disse que a questão não se trata de uma série de incidentes isolados, mas de uma realidade crescente que afeta a segurança dos moradores, o acesso às suas terras e meios de subsistência, e a capacidade de permanecerem na cidade. Ele enfatizou que as condenações aos ataques devem ser seguidas de proteção, responsabilização e medidas concretas para evitar que se repitam.
Em 9 de agosto, autoridades militares israelenses declararam Taybeh fechada a não-residentes israelenses. Militares disseram que a medida foi tomada devido ao que descreveram como “ataques violentos de israelenses” na área e tinha como objetivo proteger os moradores e manter a ordem pública.
Para os cristãos locais, a medida oficial evidenciou a discrepância entre o nível de perigo reconhecido pelas autoridades no local e a avaliação feita pelo embaixador.
Fonte: ACI Digital





