Fransueli Marques da Cruz, de 34 anos, sentiu aos 15 o desejo de entrar para a vida religiosa. Depois de passar 15 anos afastada da fé, enfrentar o vício em crack e viver na rua, ela reencontrou Deus durante sua recuperação na Fazenda da Esperança e retomou o caminho vocacional. Em 15 de julho, tornou-se postulante no Mosteiro Mater Christi, comunidade de irmãs clarissas que fica dentro da Fazenda da Esperança, em Guaratinguetá (SP).
“Por muitos anos da minha vida, procurei a felicidade em coisas erradas”, disse Fransueli. “Eu só percebi que a felicidade verdadeira a gente encontra quando faz a vontade de Deus”.
Ela contou sua história no décimo episódio da quinta edição da série Clara por Claras, da TV Franciscanos. O testemunho foi publicado às vésperas do dia de santa Clara de Assis, celebrado hoje (11).
Natural de Juiz de Fora (MG), Fransueli foi criada na Igreja Católica. Sua mãe foi catequista e coroinha. Aos 15 anos, ela sentiu pela primeira vez o desejo de seguir a vida religiosa e começou um acompanhamento vocacional em um convento da cidade.
Entre os 17 e os 18 anos, Fransueli começou a trabalhar e se afastou da Igreja. Aos 29, começou a usar crack.
“O crack tirou tudo o que conquistei durante aqueles anos de trabalho: bens materiais, dignidade, família e pessoas”, contou. “Cheguei ao fundo do poço e me vi morando nas ruas.”
Foi durante o período em que vivia nas ruas que seu pai morreu. Familiares conseguiram encontrá-la para comunicar a morte e dizer que ela precisava apoiar a mãe, pois é filha única.
Fransueli voltou para a casa da mãe, mas ainda não conseguia deixar as drogas e começou a vender objetos da casa.
“Ela sofria muito. Várias vezes, eu passava pelo quarto da minha mãe e ela estava chorando de joelhos”, disse. “Aquilo me causou um sofrimento muito grande, porque eu queria sair daquela situação, mas não sabia como.”
Sem conseguir abandonar as drogas, Fransueli passou a acreditar que não havia mais saída e tentou tirar a própria vida. Ao acordar no hospital, disse à mãe que não aguentava mais, sentia falta de si mesma e queria recuperar sua vida.
A mãe disse que encontraria uma maneira de ajudá-la e, naquele mesmo dia, procurou alguém que conhecesse a Fazenda da Esperança Fransueli aceitou ingressar na obra e iniciou sua recuperação na unidade de Guapimirim (RJ).
A Fazenda da Esperança é uma comunidade terapêutica católica fundada em 1983, em Guaratinguetá. Se dedica ao acolhimento e à recuperação de pessoas com vício em álcool e outras drogas.
“Depois de alguns meses dentro da Fazenda da Esperança, pude me reencontrar, ficar longe do vício que tanto me mantinha presa e ter esse reencontro com Jesus e com o amor das pessoas”, contou.
“O amor d’Ele por mim foi a coisa mais importante, porque, quando todos tinham se afastado de mim e até eu mesma havia desistido de mim, Ele me quis do jeito que eu estava. Ele me quis e me amou”, continuou.
A volta da vocação
Depois de sete meses de recuperação, Fransueli voltou a sentir o desejo de entrar para a vida religiosa. “Foi como se eu tivesse 15 anos novamente”, disse.
Durante o período na Fazenda da Esperança, as irmãs Clarissas apresentaram às acolhidas seu modo de vida e o encontro despertou em Fransueli o interesse em conhecer o mosteiro.
“Aquilo despertou uma inquietação muito grande no meu coração de conhecer o mosteiro, saber mais sobre a vida delas e descobrir se eu poderia ir para lá”, contou.
Depois de oito meses de recuperação em Guapimirim, Fransueli foi transferida para o Centro Feminino da Fazenda da Esperança, em Guaratinguetá, disse à ACI Digital a madre Maria Antonieta de Jesus, abadessa do Mosteiro Mater Christi.
Camila, responsável pela Fazenda, colocou Fransueli em contato com as irmãs Clarissas e ela começou um acompanhamento vocacional ainda durante seu ano de recuperação.
Depois de concluir esse período, Fransueli voltou para casa e passou 15 dias com a mãe. Em 4 de março, começou uma experiência de três meses no Mosteiro Mater Christi.
Ao terminar a experiência, voltou novamente para casa, mas com a certeza de que deveria entrar para o mosteiro. Em 15 de julho, voltou para o mosteiro e entrou para o postulantado, etapa inicial de formação e discernimento para a vida religiosa.
“Eu me sinto a pessoa mais feliz do mundo aqui dentro e muito grata a Deus por Ele ter me dado essa oportunidade de poder amá-lo pelo resto da minha vida”, concluiu Fransueli.
Um mosteiro dentro da Fazenda da Esperança
O Mosteiro Mater Christi foi fundado em 12 de outubro de 1998 por quatro religiosas vindas do Mosteiro Santa Clara, de Campina Grande (PB). A instalação da comunidade dentro da Fazenda da Esperança, em Guaratinguetá, foi pedida pelo frei Hans Stapel, OFM, franciscano e fundador da obra.
Segundo a Federação Sagrada Família da Ordem de Santa Clara, frei Hans tinha “grande apreço” pela ordem e considerava a oração contemplativa das Clarissas um amparo para a missão desenvolvida pela Fazenda da Esperança.
Também conhecidas como Irmãs Pobres, as Clarissas pertencem à ordem fundada por santa Clara de Assis e dedicam-se à vida contemplativa, marcada pela oração, pelo silêncio, pela fraternidade e pela pobreza.
Assim, no mesmo espaço em que a Fazenda da Esperança acolhe pessoas que buscam a recuperação do vício em álcool e outras drogas, as religiosas do Mater Christi vivem sua vocação de oração e contemplação.
Fonte: ACI Digital






