Lançado há uma semana – em 3 de agosto, o hino oficial da Jornada Mundial da Juventude (JMJ) Seul 2027 já começa a cumprir uma de suas principais missões: preparar os jovens para a experiência de fé que será vivida na Coreia do Sul. Mais do que acompanhar o evento, a canção expressa a identidade da próxima JMJ e une, por meio da música, jovens de diferentes culturas, idiomas e realidades.
Para músicos católicos, essa capacidade de gerar comunhão faz da música uma importante ferramenta de evangelização, especialmente entre as novas gerações. À frente da espiritualidade do PHN, o cantor e missionário da Comunidade Canção Nova, Pitter Di Laura, explica que o hino de uma JMJ começa a ser vivido muito antes da chegada dos peregrinos ao país-sede.
“O hino representa o compasso da esperança e a identidade espiritual daquela edição”, afirma. Segundo ele, a composição traduz em versos e melodias o lema da próxima jornada, permitindo que a mensagem seja assimilada não apenas pela mente, mas também pelo coração.
Música como ponte para a fé
Na sua experiência de evangelização, Pitter percebe que a música alcança dimensões da pessoa que nem sempre são acessadas por palestras ou livros. Para ele, a arte favorece a oração e permite que o jovem expresse sentimentos que, muitas vezes, não consegue traduzir.
“A música cria um ambiente propício para a oração contemplativa e para o silêncio interior, mesmo tendo som. Ela diz o que muitas vezes o jovem não tem coragem ou vocabulário para expressar a Deus”, reflete.
Essa percepção também é compartilhada pelo missionário da Comunidade Católica Shalom, Yuri Costa. Para ele, a música é uma linguagem capaz de traduzir sentimentos e alcançar pessoas que talvez não estejam abertas inicialmente a outras formas de evangelização.
“É um instrumento que Deus nos dá para alcançar aqueles corações que mais precisam, que muitas vezes não vão ‘escutar nada’, mas vão escutar uma canção”, afirma.
Yuri conta que sua trajetória na música nasceu de uma experiência de encontro com Deus por meio da arte. Desde 2017, quando iniciou sua caminhada na música católica, ele testemunha histórias de pessoas tocadas por canções em momentos de sofrimento.
Entre os relatos recebidos ao longo do trabalho missionário, estão os de jovens que enfrentavam dificuldades e encontraram na música uma oportunidade de recomeço e de aproximação com Deus.
“Eu fui alcançado por Deus através da arte, através das canções de louvor, de adoração e de oração. Essa experiência fez nascer em mim o desejo de partir em missão através da música”, recorda.
Linguagem que ultrapassa fronteiras
A capacidade de superar barreiras culturais e linguísticas ganha ainda mais significado em uma Jornada Mundial da Juventude, que reúne participantes de diversos países.
Para Yuri, a música funciona como um idioma universal. Mesmo quando os jovens não compreendem todas as palavras de uma canção, a melodia, o ritmo e a experiência de cantar juntos criam unidade. “As melodias que ressoam no nosso coração são como se não tivessem idioma”, observa.
Segundo o músico, a experiência de cantar em uma JMJ permite que diferentes povos celebrem juntos, independentemente da língua ou da cultura. Ele compara essa realidade a um “novo Pentecostes”, no qual diferentes povos se reconhecem unidos na mesma fé. “A música tem essa força de unir no toque da introdução de uma canção. Ela une povos”.
Pitter também destaca essa característica. Para ele, quando jovens que falam coreano, espanhol, inglês ou português cantam o mesmo refrão, as diferenças deixam de ser barreiras e passam a enriquecer a experiência. “Isso mostra para a juventude que a Igreja é, por essência, católica — ou seja, universal”, sublinha.
Fonte: Canção Nova







